ANGOLA. Pragas de gafanhotos e lagarta africana estão a afectar a produção agrícola em Angola, apesar de o país não registar problemas graves com as pragas migratórias, comparativamente a outros países da região austral, foi hoje revelado em Luanda.

A informação foi avançada por Bárbara Casamayor, da Direcção Nacional de Fitossanidade do Ministério da Agricultura de Angola, que falava à imprensa à margem do seminário nacional de sensibilização dos actores do desenvolvimento do sector agrícola, sobre a Importância da Segurança Alimentar, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Alimentação.

A responsável, que apresentou o tema “Influência das Pragas e Doenças Transfronteiriças na Produção Agro-pecuária”, referiu que Angola tem registado as pragas de gafanhotos, de lagartas e pássaros, que atacam essencialmente os cereais, com vários danos, agravando custos e causando insegurança alimentar.

Bárbara Casamayor recordou que Angola registou em Março de 2008, a praga da lagarta, que começou na parte sul, estendendo-se por todo o litoral, chegando até Cabinda, provocando cerca de 90% de perdas na produção de cereais, com estragos significativos nas províncias da Huíla e Benguela.

Actualmente, verifica-se a virose da banana e da mandioca, com grandes prejuízos a nível da produção, estando já em curso um plano de acção para mitigação do problema, frisou a técnica.

Na sua intervenção, o director do Fundo das Nações Unidas para Alimentação (FAO) em Angola, Mamadou Diallo, referiu que na zona sul de Angola os impactos climáticos estão a incidir sobre a produção agrícola e doenças animais, como a febre aftosa.

Segundo Mamadou Diallo, desde Agosto do ano passado, teve início a execução do Projecto de Fortalecimento das Medidas de Controlo da Segurança dos Alimentos, Pragas e Doenças de Plantas e Animais para melhorar a produtividade agrícola na África Austral.

Mamadou Diallo avançou que no âmbito deste projecto foram já realizados cinco estudos de base sobre a identificação das áreas críticas, para o reforço das capacidades institucionais e humanas em Angola, sobre as medidas de sanidade e fitossanidade, nos sectores vegetal, animal, florestal, pesca e aquicultura.

“Os resultados saídos desses estudos de base conduziram à organização de seminários de capacitação prática, que permitem hoje o reforço sobre a informação, o modo de tratamento e de seguimento para 211 técnicos nacionais de 14 províncias de Angola”, destacou.

O representante da FAO em Angola indicou ainda que, a pedido dos governos locais das províncias do Namibe e do Bengo, foram realizados recentemente seminários de capacitação de diagnóstico e controlo do vírus do tomate e da banana, respectivamente.

Lusa

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