De acordo com várias denúncias chegadas ao Folha 8, o Governador do Cuanza Sul, General Eusébio de Brito Teixeira, é acusado de fraude no concurso público de ingresso para o provimento de vaga de professores nos mais diversos escalões.

O concurso era, primeiramente referente ao ano 2013-2014. E havia vagas, das quais 5 para professores do II do Ensino Secundário-6º Escalão por cada município, à excepção de Sumbe que tinha sido 12 vagas. E o concurso em causa visava a substituição dos quadros por abandono (morte, excesso de faltas, dupla efectividade, etc.).

“Tudo indicava que após termos concorridos em Outubro e em Dezembro assinarmos o contrato, teríamos começado em Janeiro de 2014”, conta-nos um dos professores.

Mas não foi assim. “Foram adiando até que em Junho de 2014 pedem-nos para actualizarmos os processos, redigir novos requerimentos como se o concurso fosse anunciado naquele ano. Não tínhamos opção, “engolimos o sapo”. Em Outubro do mesmo ano chamam-nos para assinatura de novos contratos, assinamos. Com a esperança de que em 2015 fôssemos colocados. Após várias ligações às pessoas afectas à Direcção Provincial da Educação, naquela província, diziam sempre que seria próximo mês, até que o ano 2015 findou”, conta-nos este docente.

Para a surpresa geral, eis que em Junho anunciam um concurso público e pedem aos que já tinham concorrido várias vezes para voltarem a concorrer, desta vez apenas exigindo actualização do processo e a redacção de novo requerimento, como se estivessem a participar no concurso de 2016.

Mas as surpresas continuam. “Chamam-nos para um encontro no dia 9 de Dezembro para dizer que das 5 vagas do município de Amboim-Gabela, apenas ficaram 2, facto que ocorreu para os restantes municípios, com excepção do Sumbe, que de 12 antes previsto duplicou o número”, conta um professor, explicando que o mesmo ocorreu para os professores do II Ciclo-8º Escalão.

“Está medida gerou descontentamento, porquanto ninguém sabe que critérios serão usados para exclusão dos 3 e permanência dos 2”, conta o docente, salientando que, “na verdade esta tem sido a prática no Cuanza Sul, que vai além do Sector da Educação, em que o governador coloca pessoas da sua confiança, sobretudo sobrinhos, já para não falar da usurpação de terras, que é uma prática, recorrente e que o procurador naquela província tem muitos processos-queixas de cidadãos, vítimas desta prática, exclusiva e maquiavélica perpetrada pelo general Eusébio de Brito Teixeira”.

Relativamente à questão dos professores, eis que o executivo anunciou para 2017 a colocação dos quadros cujos processos estão pendentes, por alegada crise financeira que assola o país.

Consta que o Tribunal de Contas deslocar-se-á nos próximos dias 28 e 29 ao Sumbe para visar e homologar o processo, dando assim cobertura legal às artimanhas montadas para que pessoas da conveniência do Governador e do Director Provincial da Educação sejam colocadas.

Foto: Arquivo

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