ANGOLA. O FMI considerou hoje que a previsão dum défice fiscal angolano de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 deixa a economia vulnerável a novas descidas na cotação do petróleo, pressionando a sustentabilidade da dívida pública.

A posição foi assumida pelo economista brasileiro Ricardo Velloso, chefe da missão do FMI que nos últimos 15 dias esteve em Luanda para as reuniões anuais (Artigo IV) com as autoridades angolanas e análise dos principais indicadores da economia nacional, tendo apontando que o Governo deveria “almejar” um défice fiscal não superior a 2,25% do PIB, também tendo em conta os 4% esperados para este ano.

“A dívida pública [de Angola] deverá vir a exceder 70% do PIB no final de 2016, reflectindo a desvalorização da taxa de câmbio além do défice fiscal projectado. Um défice fiscal da magnitude projectada no projecto de Orçamento para 2017 iria deixar a economia vulnerável a preços de petróleo inferiores ao projectado e aumentar a preocupação quanto à sustentabilidade da dívida pública”, disse Ricardo Velloso.

Apesar de “começar a preocupar”, a sustentabilidade da dívida pública “não está em causa” para já, acrescentou o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nas contas do Governo está inscrito um défice orçamental de 5,8% do PIB no próximo ano, no valor de 1,139 biliões de kwanzas (6,4 mil milhões de euros).

Lusa

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