EXCLUSIVO FOLHA 8. À margem do encerramento congresso do MPLA, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas, general Geraldo Sachipengo Nunda, disse à imprensa, “que as Forças Armadas de Cabinda estão a sonhar”. Em exclusivo para o Folha 8, Emmanuel Nzita, Presidente da FLEC Chefe Supremo das Forças Armadas Cabindesas, responde.

O General Nunda disse que os militares da FLEC “nunca tiveram quaisquer operações militares em Cabinda e que os órgãos de imprensa que transmitem essas informações podem visitar Cabinda e circular em todos os lugares para obter informações sobre a situação em Cabinda”.

Em exclusivo ao Folha 8, Emmanuel Nzita, Presidente da FLEC Chefe Supremo das Forças Armadas Cabindesas afirma:

“Congratulo-me com esta posição do Chefe do Estado Maior das FAA, General Nunda e apoio a sua iniciativa de convidar a imprensa para visitar Cabinda e circular em todos os lugares sem obstáculos”.

Emmanuel Nzita acrescenta: “Eu também convido todos correspondentes e repórteres de agências e enviados especiais da AFP, LUSA, Reuters, Folha 8 e todos os outros meios de comunicação que não posso mencionar aqui de responder ao apelo do Chefe do Estado Maior de Angola ir livremente visitar Cabinda e questionar população sem restrições”.

No entanto, Emmanuel Nzita diz que “aproveita para informar todos os jornalistas que pretendem responder a este apelo de que iremos garantir a sua segurança em áreas onde o governo descreve como perigosas e que poderá proibi-los de visitar, mas que nós garantimos a sua total segurança”.

“A situação político-militar em Cabinda é completamente de tranquilidade e a FLEC não realizou e nem pode realizar nenhuma acção, tanto que as pessoas podem ir até Cabinda, Niconge, Bucuzau, Belize, a todos os sítios e aldeias, pois não houve nenhuma acção da FLEC”, garantiu na altura o General Nunda.

Questionado sobre a suposta morte de 40 soldados das FAA durante os ditos confrontos, segundo dados divulgados pela FLEC, Sachipengo Nunda adiantou que a” organização está a sonhar porque não é possível que tal tenha ocorrido”.

“Estas comunicações são falsas e os órgãos que transmitem essa informação podem ir a Cabinda, porque não se registou nenhum confronto e não se verifica nenhuma instabilidade político-militar”, disse o general das FAA.

Recorde-se que nos últimos meses a FLEC/FAC afirma que os seus militares estão a intensificar, em Cabinda, acções bélicas contra as Forças Armadas de Angola, FAA.

Em comunicado, assinado pelo Tenente-general Afonso Nzau, Chefe de Brigada Mayombe Sul, a FLEC/FAC realça também a repressão contra civis levada a efeito pelas FAA.

Eis, na íntegra, o comunicado da FLEC/FAC enviado à redacção do Folha na Europa e que aqui foi publicado no passado dia 7:

“No dia 01.08.2016, às 23:00 horas, em Belize, uma patrulha das FAA caiu numa emboscada da FLEC/FAC. Na operação vários soldados angolanos morreram. Em represália as FAA eliminaram um número de civis ainda não identificados.

Na noite de sexta-feira para sábado dia 05.08.2016 um destacamento militar das FAA foi atacado de surpresa pela Forças Especiais da FLEC/FAC em Bitchequete na área entre Dinge e Massabi, causando a morte de 4 soldados das FAA. Na operação a FLEC/FAC recolheu uma peça de artilharia e armas ligeiras abandonadas pelos soldados angolanos em fuga.

No mesmo dia, no eixo rodoviário que liga Panga Mongo a Necutu, na mata de Lucanga, três veículos da FAA foram atacados e queimados pela FLEC/FAC. Na operação 6 soldados das FAA morreram, 9 foram feridos e um está desaparecido.

Também no dia 05.08.2016, na aldeia de Vito Novo, na região de Buco-Zau, uma coluna de 6 camiões que transportavam madeira em nome da empresa gerida pelo Sr. Herculano, que facilita o tráfico ilegal de madeira em nome do General António Maria “Zé Maria”, chefe dos serviços de inteligência (SISM) e do general António Katembo, esposo da ilícita Governadora de Cabinda, foi interceptada por uma divisão das Forças especiais da 4ª região militar da FLEC/FAC.

A FLEC/FAC procedeu ao controlo e identificação de todos os motoristas que tiveram de abandonar os camiões e receberam o aviso de não participarem no tráfico de madeira, não sendo respeitada a advertência na próxima intercepção podem sofrer consequências graves pelo incumprimento da ordem. Todos os camiões de madeira extorquida foram carbonizados e as carcaças de camiões ainda permanecem no local.

O Alto Comando da FLEC/FAC, volta pedir, especificamente ao governo da República Popular da China, para repatriar todos os seus cidadãos em Cabinda por que a sua presença no nosso território constitui uma provocação”.

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