ANGOLA. A edição de 2016 da Feira Internacional de Luanda (FILDA), a maior feira multissectorial de Angola, prevista para Julho e adiada para Novembro devido à crise, já não se deverá realizar este ano, por dificuldades financeiras.

A situação confirma a informação obtida pela Lusa nos últimos dias, junto de várias empresas, dando conta da ausência de preparativos para o certame, previsto inicialmente para 19 e 24 de Julho, mas cerca de 15 dias antes adiado para 15 a 20 de Novembro.

A Lusa tentou, sem sucesso, confirmar a decisão de cancelamento da FILDA 2016 junto da FIL (empresa privada com capitais públicos angolanos que organiza as várias feiras em Luanda). Será a primeira vez que a feira não se realiza em 33 anos e que teve lugar mesmo durante o período de guerra no país, que só terminou em 2002.

Em anos recentes, Portugal teve a maior representação internacional na feira, chegando à centena de empresários presentes em 2014, em busca de novas oportunidades de negócio em Angola.

Segundo a edição de hoje do semanário económico angolano Expansão, que cita fontes da FIL, a 33.ª edição da FILDA foi cancelada devido às “dificuldades financeiras do país”, que desde 2015 está mergulhado numa profunda crise, face à quebra nas receitas petrolíferas.

É ainda adiantado que os funcionários da FIL estarão com vários meses de salários em atraso e que ameaçaram boicotar a realização da FILDA, em protesto, pelo que outras feiras temáticas previstas ainda para 2016 estão igualmente em causa.

Numa comunicação enviada aos expositores no final de Junho, anunciando então o adiamento da FILDA para Novembro, o presidente do Conselho de Administração da FIL, José de Matos Cardoso, justifica a decisão com a “necessidade de manter os níveis de organização e qualidade” das feiras anteriores.

“Por razões técnicas que se consubstanciam na dificuldade de importação de materiais e equipamentos para montagem da feira e outros do interesse dos expositores, adia-se a realização da 33.ª edição da FILDA”, lê-se na comunicação.

José de Matos Cardoso argumenta com “o actual estado da economia do país, que levou a que a maior parte das empresas esteja a viver algumas dificuldades no seu ‘core business’, o que afectou em grande medida a sua capacidade de operação produtiva e de acções de marketing e publicidade, tornando-as reféns das divisas para importação de bens e serviços”.

Fonte: Lusa

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