A maioria dos angolanos esperava um discurso ousado, inovador, diferente, mas foi surpreendido quando João Lourenço, o candidato a candidato de alguma liderança, abriu a boca. Debitou palavras, frases descontínuas, atrasadas no tempo, embrulhadas no vermelho e preto da mentira “sessentista”.

Por William Tonet e Orlando Castro

60 anos de um ente, sem pai, mãe, nem documento de nascimento. Tudo batota! Vergonhosa batota histórica.

Por esta razão, ouvir João Lourenço foi como escutar o “mama dji” de Nagrelha: NADA! Não conseguiu mostrar desenvoltura intelectual, capaz de galvanizar as bases, tão pouco lançar a semente da esperança no interior do próprio MPLA, cujos dirigentes cabisbaixos, não queriam acreditar no discurso inócuo da eventual e provável aposta de José Eduardo dos Santos, para o pleito de 2017.

Acreditem. Fiquem descansados. Tudo está controlado, ainda, por JES. Desde o registo eleitoral, ao controlo dos dados informatizados dos cidadãos, vivos e mortos. Estes, com o exército das almas penadas dos “supermercados da fé” (os travestis religiosos), garantirão sem necessidade de competência, carisma, desenvoltura discursiva, o voto/batota, para catapultar para a Cidade Alta, quem o “querido líder” quiser e, até, não quiser…

“A escolha de João Lourenço não tem a ver com a sua capacidade, mas com a força da batota, previamente anunciada, capitaneada pelo seu futuro vice, Bornito de Sousa, que se substituiu a Comissão Nacional Eleitoral, por ordem do presidente Eduardo dos Santos, que sempre teve medo de concorrer nominalmente, por causa, também, da sua incapacidade de manter um debate com os demais candidatos”, disse ao F8, Malaquias Ngueve, acrescentando que diante destas debilidades e quando parece haver um ambiente de inversão, a oposição, na sua ingenuidade, acredita que com o pacote eleitoral de 2012, possa reverter alguma coisa, quando se o MPLA cedeu é por ser já um presente envenenado, pois ele não passa de um texto, quando a batota se resumem a práticas e factos em marcha. Por outro lado, a oposição, para além de individualmente, pensarem que podem ganhar, resistem a criação de uma “Plataforma Unida da Mudança”, para em conjunto unirem forças, para a grande empreitada de tirar do poder o MPLA. Por outro lado, esquece a oposição, não ter nenhum mecanismo de controlo, não haver órgãos isentos e despartidarizados, capazes de garantirem um parecer imparcial e justo diante de uma reivindicação de batota, desde o órgão eleitoral, aos tribunais, todos são fidelizados a José Eduardo dos Santos/MPLA”, concluiu.

O povo é o MPLA e o MPLA é o povo, é isso não é senhor general João Lourenço?

O povo é o MPLA e o MPLA é o povo, é isso não é senhor general João Lourenço?

A euforia pelo novo, deu lugar a frustração, pois o novo João Lourenço é pior que todos os velhos juntos e não houvesse batota institucional e o MPLA espalhar-se-ia ao comprido, pela fraqueza da sua aposta. É um dirigente sem brilho, frio, desmobilizador, para os desafios futuros, principalmente, se estes, como dizem for o desenvolvimento. O desenvolvimento que João Lourenço melhor conhece é o de ser responsabilizado com um dos maiores devedores dos bancos que foram a falência: CAP e BESA, alavancas que lhe permitiram ter grandes fazendas, com pessoal expatriado, maioritariamente brasileiros e portugueses, em Luanda e na zona de Dala Cachibo, no Kuanza Sul.

Ora, como a actual Constituição permite que um criminoso chegue a Presidência da República, não parece grave, para uns, que um corrupto ascenda desde que tenha a bênção de quem nunca prestou contas sobre actos de improbidade, traição à pátria, peculato, nepotismo, assassinatos, etc..

É uma profunda heresia política pretender que a população acredite ser o MPLA o único que lutou para a independência e ter heróis dignos desse nome, quando é transversal, nos movimentos de libertação as mãos manchadas de sangue, pela eliminação de todos quantos ousassem pensar e opinar diferente do chefe e o partido no poder lidera a lista, com um avanço considerável dos demais, logo deveria ter vergonha de o dizer.

O vice-presidente do MPLA pediu (leia-se exigiu), no dia 10 de Dezembro, aos militantes mais trabalho para ganhar as eleições gerais previstas (saliente-se a palavra “previstas”) para Agosto de 2017, mas o partido no poder desde 1975 continua sem anunciar o candidato que poderá, ou não, substituir o líder que está no poder há 37 anos… sem nunca ter sido nominalmente eleito.

João Lourenço, o putativo substituto de José Eduardo dos Santos, discursava em Luanda, durante as cerimónias (inter)nacionais de comemoração dos 60 anos do MPLA, e no seu improviso (devidamente decorado) de mais de 60 minutos, contra as expectativas da semana anterior, voltou a não ser anunciado qualquer nome como cabeça-de-lista do partido à presidência da República nas próximas eleições.

A reunião do Comité Central do MPLA, realizada a 2 de Dezembro, em Luanda, indicou, segundo fontes do partido, mais ou menos anónimas, o nome do general João Lourenço, actual ministro da Defesa, para candidato a Presidente da República nas próximas eleições gerais, as tais “previstas” para 2017. Contudo, o nome – e tão pouco a não recandidatura de José Eduardo dos Santos – não foi anunciado oficialmente até agora pelo partido.

Com o favoritismo do MPLA mais do que garantido pelo domínio e manipulação de toda a máquina eleitoral, aquele dirigente preferiu exortar os militantes a “mais trabalho” para preparar as eleições de 2017.

“Precisamos de apanhar muito sol, precisamos de suar, de caminhar muito, de perder noites, de conversar muito com o povo, não apenas com os militantes, com o povo em geral e se o fizermos tenho a certeza que o povo angolano mais uma vez vai reiterar a sua confiança no partido, porque efectivamente só com o MPLA o povo angolano conhecerá dias melhores”, disse João Lourenço, numa intervenção anunciada para marcar o início da pré-campanha eleitoral e que em tudo foi uma cópia das directrizes habituais do “querido líder”.

Sobre o desenvolvimento do país, o vice-presidente do MPLA lembrou que Angola está a viver um momento particularmente difícil, “mas que é passageiro, é conjuntural”. Eduardo dos Santos, Manuel Vicente ou qualquer outros dos dirigentes do partido não diriam algo de diferente.

Generais corruptos chamados para o desenvolvimento

Ninguém sabe qual será a fórmula para transformar corruptos generais em generais do desenvolvimento, se nunca souberam trabalhar, se nunca foram ricos, pese terem muito dinheiro, muito de sangue, nas gordas contas pessoais.

Fiquem descansados. Tudo está controlado, ainda, por José Eduardo dos Santos. A escravatura vai continuar.

Fiquem descansados. Tudo está controlado, ainda, por José Eduardo dos Santos. A escravatura vai continuar.

Ninguém que é parte do problema, por tanto tempo, poderá ser parte da solução. Não pode! Hoje pese estar na constituição sermos uma economia de mercado, vivemos sob uma economia centralizada, com o BNA (Banco Nacional de Angola) a determinar quem importa, como importa, através de que banco e a quem paga e quando paga as facturas e, sobre isso, o putativo candidato não falou, não destapou, sequer a ponta do véu, por, na certa, congénita incompetência ou achar ser irrelevante, já que quem sofre mais é o autóctone pobre, porque os milionários de que ele faz parte estão se borrifando para a maioria, que continuam a explorar, em substituição do colono.

Segundo João Lourenço, alcançada a independência, a paz e a reconciliação nacional, chegou o momento de se encontrar “os soldados, os generais” do desenvolvimento.

Se a independência foi substituir os colonizadores portugueses pelos colonizadores do MPLA, João Lourenço tem razão. Se a paz é apenas e só a ausência de tiros, João Lourenço continua a ter razão. Se a reconciliação nacional foi formatar todos os angolanos a serem escravos, João Lourenço mantém a razão.

João Lourenço explicou que os soldados e generais do desenvolvimento “são aqueles talentos que vão gerir da melhor forma as nossas empresas, os nossos grandes conglomerados económicos”. Estava, com certeza, a pensar na general Isabel dos Santos e no general José Filomeno de Sousa dos Santos. Quanto aos soldados referia-se, certamente, aos 20 milhões de pobres que sentem e amam Angola como angolanos mas que, graças ao MPLA, não são propriamente angolanos. Isto porque os escravos não têm nacionalidade.

“Os generais que vão organizar a nossa economia, a tal ponto de passarmos a ter mais energia, água, educação, estradas, ensino, saúde. Em muitos casos, não podemos contar com os generais do passado, em muitos casos para esta nova fase de luta temos que descobrir outros generais-gestores”, disse João Lourenço, passando uma corrupta esponja sobre os 41 anos de “independência”, 14 dos quais em paz total.

“Temos que descobrir os gestores que com transparência, sabedoria, vão garantir que Angola se possa desenvolver nos próximos anos, mesmo que o preço do petróleo não suba”, acrescentou o general. Tinha-lhe ficado bem dar os dois mais paradigmáticos exemplos do regime, Isabel e Filomeno.

Perante milhares (continuamos a pensar que terão sido milhões) de apoiantes, no estádio 11 de Novembro, João Lourenço pediu para que os angolanos passem a pensar no desenvolvimento de Angola com petróleo ou sem esse recurso natural, porque o país tem várias riquezas naturais.

Se João Lourenço acreditasse que Angola poderia ser uma democracia e um Estado de Direito, bastava-lhe dizer que é urgente que os angolanos pensem. Pensem apenas. Mas ele sabe que se os angolanos pensarem… o MPLA tem os dias contados.

“Nós temos que nos perguntar a nós próprios por que razão há países que nunca tiveram petróleo, não sonham algum dia vir a ter petróleo e são países organizados, economicamente estável, porquê”, referiu João Lourenço. Pois é. Onde andou o general todos estes anos?

“É verdade que tivemos o ‘handicap’ da guerra, a guerra prolongada, mas a guerra terminou e temos que começar a pensar seriamente em desenvolvermos o nosso país com petróleo ou sem petróleo”, frisou João Lourenço. Terminou há 14 anos. Mas, pelos vistos, só agora é que o general deu conta disso.

João Lourenço disse que o desafio para o período eleitoral que se avizinha, é o MPLA continuar a ser poder, “trabalhar para a vitória”. Para ter a vitória o MPLA não precisa de trabalhar. Basta-lhe ter, como tem, o controlo da máquina eleitoral e, se quiser uma ajudinha, trazer a público algumas das histórias reais de alguns partidos da oposição.

“Temos que continuar a apelar ao registo eleitoral dos nossos militantes e do povo em geral para que em Agosto de 2017 possamos exercer o nosso direito de escolher o partido político que durante os cinco anos vai governar o país”, salientou o general. E os militantes entenderam a mensagem. O povo é o MPLA e o MPLA é o povo, é isso não é senhor general João Lourenço?

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