O ministro da Comunicação Social de Angola, José Luís de Matos, garantiu hoje, terça-feira, na cidade do Sumbe, Cuanza Sul, a melhoria das condições de trabalho aos órgãos do sector na província. Órgãos públicos, entenda-se. Órgãos ao serviço do regime (MPLA), compreenda-se.

Por Orlando Castro

O governante, que falava num encontro com os membros do governo local e directores de diferentes órgãos da Comunicação Social, adiantou que o seu pelouro está a trabalhar no sentido de oferecer melhores condições de trabalho aos órgãos de informação. Órgãos públicos, entenda-se. Órgãos ao serviço do regime (MPLA), compreenda-se. Sãos os únicos que são filhos. Os outros nem enteados são.

José Luís de Matos disse que a actual situação económica que o país vive não permitiu atingir todos os objectivos, por isso, deve haver um esforço conjugado entre os órgãos para proporcionar aos jornalistas melhores condições.

O ministro referiu que ao seu pelouro incumbe a especial missão de impulsionar os profissionais do sector a usar a sua arte de informar, formar e entreter em catalisadores para a mobilização da nação em prol das medidas e iniciativas que vêm sendo tomadas. Medidas ao serviço da propaganda do regime (MPLA), compreenda-se.

O ministro encorajou os profissionais da classe a continuar a aperfeiçoar a forma de abordar os seus trabalhos, para o cumprimento das orientações e metas traçadas.

Atente-se. Cumprimento das orientações e metas traçadas. Será preciso explicar melhor?

Por sua vez a vice-governadora do Cuanza Sul para o sector Politico e Social, Maria de Lourdes Veiga, reconheceu existir dificuldades em termos de fundo de maneio para deslocação aos municípios, mas disse estar-se a trabalhar no sentido de se ultrapassar esta situação.

Manifestou a preocupação do governo em trabalhar na criação de condições para que o sinal da RNA, TPA e os serviços da Angop e do Jornal de Angola cheguem a toda província, para garantir o direito de informação às populações.

Para garantir o quê? Direito de informação às populações? Não. Garantir o cumprimento das orientações e metas traçadas… pelo regime (MPLA).

Maria de Lourdes Veiga disse que os jornalistas da província tem estado a trabalhar com zelo e dedicação, cumprindo desta forma as orientações dos conselhos de Administração para o exercício cabal das suas actividades. Nem mais. Cumprir com as orientações e metas traçadas.

O ministro da Comunicação Social visitou, na companhia dos PCA da Angop, TPA, RNA, respectivamente, Daniel Miguel George, Helder Bárber e Henrique dos Santos, os centros emissores da TPA, RNA, a Delegação da Angop, das Edições Novembro e o Centro de Produção da TPA.

Regime tem toneladas de razão

Se não for o regime a ensinar-nos o que é a democracia e o jornalismo, quem o fará? Não é, ministro José Luís de Matos?

Isto porque, segundo o regime, os órgãos de informação privados nada mais são do que – citamos o Jornal de Angola – um “Cavalo de Tróia que vomitava do seu seio a subversão dos mais elementares valores que regem o jornalismo.”

Damos, por isso, como adquirido que José Eduardo dos Santos está para os angolanos (e não só) como Deus está para os cristãos, sendo que o JA está para o jornalismo como o MPLA está para Eduardo dos Santos.

Assim, na matéria em que o ministro José Luís de Matos é perito, “a liberdade de imprensa convive com abusos repugnantes e os novos jornais até começaram a servir para crimes de chantagem e extorsão”, para além de que ”quase sempre são palcos de intrigas, veículos de ataques pessoais, mananciais de insultos, calúnias e difamações.”

É de crer, embora sem termos consultado José Luís de Matos, que um desses crimes tem a ver com o 27 de Maio de 1977, um massacre que os jornais privados dizem ter sacrificado milhares e milhares de angolanos mas que, na verdade e certamente segundo o regime, nem sequer existiu.

Diz o JA, órgão que – tanto quanto parece – é grado a José Luís de Matos, que “o Presidente da República é o alvo privilegiado dos jornais privados. Há entre eles uma competição estranha que consiste em ver qual deles fere mais a honra e o bom-nome de José Eduardo dos Santos. O mais alto magistrado da Nação é tratado como um pária ante a indiferença dos órgãos de Justiça, das organizações dos jornalistas, das associações patronais e, pasme-se, do Conselho Nacional da Comunicação Social.”

Mais um ponto a favor da política de policiamento apertado dos jornalistas que José Luís de Matos vai levar a cabo. Estão todos conluiados para denegrir a imagem do impoluto Presidente da República, não compreendendo que estar há 37 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito é a mais sublime prova da vitalidade democrática do regime angolano.

Diz a imprensa do senhor ministro José Luís de Matos, que “de 2008 para cá as coisas melhoraram”. Isto é, “os jornais privados que mais se destacavam na calúnia e no insulto ao Chefe de Estado abandonaram esse caminho. Mas em compensação outros redobraram os crimes de abuso de liberdade de imprensa. Sabe-se agora porquê.”

Essa nobre imprensa não explica, certamente no cumprimento das mais puras e transparentes regras éticas e deontológica, a razão pela qual alguns jornais abandonaram esse caminho. Também não precisa de explicar. Todos sabem que foram comprados e ou silenciados pelo regime.

Recorde-se, por exemplo, que esses órgãos de (des)informação dizem que – citamos – “o “Folha 8” é o órgão oficial da CASA-CE e dá uma mão à UNITA, nas suas investidas contra o Estado Democrático e de Direito. O “Novo Jornal” é o suporte de “manifestantes” que têm uma única mensagem à sociedade: insultos grosseiros ao Presidente da República e o objectivo de derrubá-lo.”

Em cheio. Não há dúvida, senhor ministro José Luís de Matos. Nenhum jornal no mundo bate os amados órgãos de informação. É que todos eles, mas com assinalável e meritoso destaque para o Jornal de Angola, não só analisam como dão notícias em primeiríssima mão. Então não é que Angola é um Estado Democrático e de Direito? Ora tomem!

Ao fim e ao cabo, todos os jornais “se encarregam de fazer alastrar a mancha da calúnia e do insulto. Com mais ou menos competência. Mas seguramente com resultados catastróficos para o jornalismo angolano.”

Valha-nos ao menos, pensará com certeza José Luís de Matos, a existência desses paradigma de nobreza e altruísmo, verdadeiras catedrais do jornalismo, que dão pelos nomes de Jornal de Angola, TPA, RNA e Angop.

Brilhante e a merecer uma condecoração do ministro José Luís de Matos, são esses órgãos que dizem que “A UNITA segue o mesmo caminho mas com um pouco mais de compostura. Tem como mentor um qualquer Rafael Marques. A CASA-CE faz dos tempos de antena sucursais do “Folha 8” mas um pouco mais primários. São violentíssimos ataques à inteligência dos eleitores e golpes fatais contra a ética política. Se não havia ética no “jornalismo” que faziam, muito menos existe agora, quando vivemos num período em que os salteadores da política agem como se valesse tudo menos tirar olhos”.

Ficamos também a saber, graças – corrobore-se – à honorabilidade desses meios, que os leitores têm inteligência e que Rafael Marques e William Tonet estão a desgraçar o país e cometer crimes contra tudo, nomeadamente contra a segurança do Estado. E estão mesmo, reconhecemos. É que eles pensam que Angola é mesmo um Estado de Direito Democrático. E como não é, todos os que teimam em pensar de forma diferente são culpados de tudo. Culpados até prova em contrário.

Certamente que o ministro José Luís de Matos poderia – como quem não quer a coisa – dar uma dica a esses seus funcionários para divulgarem que a UNITA, a CASA-CE, o PRS, Rafael Marques e William Tonet têm verdadeiros arsenais bélicos debaixo da cama e até disfarçados no disco duro dos computadores.

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