A situação em Cabinda está a se deteriorar cada vez mais, sob os olhos da comunidade internacional, cúmplice. Mais uma vez, venho manifestar com gritos a dor de todo um povo, o medo, a incerteza, a angústia, a frustração, a desilusão.

Por Jean Claude Nzita (*)

Estamos confrontados com uma barbárie sem nome, um genocídio sem precedentes, estupros em massa e uma guerra imposta! As atrocidades que ninguém imaginaria. Horrores dignos de um outro século ou somente possíveis em outra idade estão sendo cometidos em Cabinda, sob o olhar da comunidade internacional, cúmplice.

Em relação à tragédia sangrenta que assola o nosso território e em que os Cabindas são vítimas, poderíamos ser acusados de indiferentes? Certamente que não! A nossa paz de espírito e paciência que nos caracteriza e reconhecida no mundo não significa fraqueza e ainda menos que somos indiferentes ao que está a acontecer em Cabinda, o que aguentamos na terra dos nossos antepassados.

Pelo contrário! Todas as nações do mundo estão consciente disso! O nosso corpo, como povo é gravemente ferido. É o nosso coração que está machucado. Toda a nossa alma está totalmente angustiada. Isto é uma agressão por parte de Angola que cobiça a nossa imensa riqueza. Pela ignorância e ambições tolas de alguns Cabindas que voluntariamente se entregaram em troca de migalhas ao serviço dos ocupantes e agressores de Cabinda.

Nós, Cabindas, chegamos a dispor da terra dos nossos antepassados e da riqueza colossal de Cabinda ao alcance de todos ao ponto de nós mesmos nem sequer aproveitamos! Somos um povo muito pobre num país rico! Todo o mundo sabe, todo mundo diz, todo mundo reconhece! Levamos longe demais a nossa bondade ao ponto que os inimigos que exploram as nossas riquezas finalmente decidiram oprimir-nos ocupando o nosso território, para monopolizar as terras dos nossos antepassados, invadir Cabinda para explorar melhor a nossa grande riqueza.

Não é um segredo para ninguém que foram os estrangeiros que ordenaram e meteram em execução a operação de conquista militar de Cabinda não o escondem! Em voz alta, proclamam isso a quem quer ouvir! A manifestação da sua atitude constantemente prova, diz e repite as suas más intenções para com o povo de Cabinda. Eles dizem claramente que é a riqueza de Cabinda que lhes interessam e não o povo de Cabinda; e irão alcançar o seu objectivo, clamam eles, enquanto houver Cabindas manipuláveis. Confiscar a identidade e esmagar o povo de Cabinda já não é um segredo para ninguém: todo mundo sabe e quem não sabe tem que olhar para o que está se passar em Cabinda ocupada para ser convencido.

Os guerrilheiros da FLEC prometem lutar até à última gota de sangue.

Os guerrilheiros da FLEC prometem lutar até à última gota de sangue.

Todo o mundo tem beneficiado da riqueza de Cabinda, excepto o povo infeliz de Cabinda! A riqueza de Cabinda têm construído e continua a construir muitos países e continentes do mundo, excepto Cabinda!

Perante a agressão violenta e injustificada que continuamos a sofrer, já é tempo de nós, como povo de Cabinda, darmos a nossa própria resposta, uma resposta aguardada pelos povos do mundo inteiro. Mas essa resposta que deve ser repetida através das mídias, essa resposta que devemos ter que repetir todo o tempo para uma boa compreensão não é nova! Já a demos várias vezes por meio das múltiplas reacções no passado e no presente. E daremos ainda mais no futuro.

Antes de qualquer tentativa de nos oprimir e aproveitar-se das nossas riquezas, é preciso saber que a nossa resposta permanece inalterada. As nossas mentes estão preparadas para dizer não. Estamos sempre a dizer “NÃO” de todas as formas! Seja qual for o motivo, quaisquer que sejam os meios, métodos e as pessoas usadas; qualquer que seja a chantagem que iremos de enfrentar; o tempo que for preciso e os sacrifícios que vão exigir-se, sempre diremos “não, não” e é “NÃO”.

Que todo o mundo entenda: o povo de Cabinda não tem medo de ninguém, nunca deixou de dizer activamente “NÃO” diante de todas as formas de dominação e exploração e sempre saiu vitorioso. Somos um povo guerreiro e lutador quando a nossa liberdade está em causa. Para defender a nossa liberdade e também para proteger a liberdade dos outros, sempre diremos “não” diante de qualquer forma de opressão, donde e de quem vier! Dissemos “não” a todas as aventuras estúpidas e irresponsáveis que nos são impostas injustamente!

Nós dissemos “NÃO” contra a escravidão: O nosso “NÃO” sempre foi enérgico, categórico e firme apesar da actual ocupação! Nós dissemos “não” ao colonialismo Português. A nossa resposta contra a ocupação colonial, a humilhação, a exploração das nossas riquezas e as violações dos nossos direitos sempre foi um “NÃO”.

Nós continuaremos a impor a nossa recusa até que com certeza iremos superar esta aventura sangrenta de ocupação e de assassinatos. Recordemos que os povos Kongo vêm das tribos com tradições guerreiras. O nosso passado está recheado de manifestações gloriosas em matéria de luta.

O povo de Cabinda nunca hesitou em dizer “NÃO” e nunca recuará, mesmo com sacrifício, para manifestar e concretizar a sua recusa. O mundo inteiro tem conhecimento disso. Portanto, a nossa causa é legítima, por isso, não hesitaremos um só instante para pagar se for necessário com o nosso sangue e a nossa riqueza para dizer “NÃO” diante de qualquer comportamento e qualquer acto agressivo e assim limpar a ofensa que nos é feita.

Da mesma forma, nunca toleramos e nunca iremos tolerar que as pessoas vêm, com armas nas mãos, pisando o solo dos nossos antepassados, cometendo impiedosamente e impunemente horríveis massacres e destruição do nosso povo. Isto é, independentemente da razão avançada, independentemente do número de Cabindas corrompidos pelo criminoso. A resposta dos Cabindas é soberana, firme e irrevogável: NÃO! Para ser claro, a nossa recusa é inflexível, NÃO! A nossa regra de conduta nunca mudou.

O povo de Cabinda tem a obrigação de apoiar, de se defender, de defender legitimamente o seu território contra as agressões que são visíveis, repetitivos e sobretudo injustas. A soma dos três factores acima referenciados tem por consequência uma defesa medida e necessária.

Perante a injustiça e a indiferença do suposto estado, os Cabindas devem mobilizar-se para defender o seu património comum que é o seu território. Atacando regularmente os Cabindas com armas, os agressores angolanos demonstraram-nos abertamente a sua recusa a conceder-nos o direito de viver em paz dentro do nosso território ou simplesmente o direito de viver.

Portanto, o povo de Cabinda tem o direito de se defender não apenas contra uma violação da sua integridade territorial, mas também contra a violação do seu direito de ser reconhecido e respeitado como povo devendo gozar da sua liberdade dentro do seu território.

Apoiando-se sobre o conceito da FLEC, o povo de Cabinda estaá sempre preparado para repelir, a qualquer momento, qualquer individuo estranha e qualquer grupo que viola a soberania estabelecida de Cabinda, saqueando os recursos naturais, violando as mulheres e matando os Cabindas. Temos a obrigação e o dever de salvaguardar os limites do nosso território contra e qualquer agressão. Eu nunca vou desistir da luta pela libertação enquanto Cabinda não ser livre. Eu sou uma vontade inabalável, uma alma incorruptível, eu sou um filho de Cabinda, que nunca fará mal a sua terra e sobretudo ao seu povo.

O meu sangue torna-se veneno para a causa de Cabinda.

(*) Porta-voz da FLEC/FAC

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