Há quase um ano que os estudantes angolanos, bolseiros na Federação Russa, estão sem os seus complementos de bolsas. Na tentativa de saberem o que se passa procuraram, sem êxito, obter uma explicação dos responsáveis pelo Sector de Apoio Estudantil (SAE), director Muanza Loge e tesoureiro Sr. Daniel Samba.

“P rocuramos saber dos nossos responsáveis o porquê do atraso do complemento de bolsa, mas não nos dão uma resposta viável, a não ser ameaçar os estudantes de que se insistirem a ligar para falar do mesmo assunto, estes perderam a bolsa”, conta ao Folha 8 um dos estudantes.

O responsável dos estudantes, Muanza Loge, prometeu melhorias de trabalho no SAE mas até agora nada foi feito. “Nós como estudantes não vemos melhoria nenhuma. Estamos preocupados com a nossa situação aqui na Rússia e que levou os estudantes a escrever uma carta à direcção do INAGBE – Instituto Nacional de Gestão de Bolsa Estudo “, contam.

“A nossa situação é crítica a cada dia que passa, visto que daqui a algumas semanas começam as aulas e estamos sem verbas pra comprar os materiais escolares. Sem verbas para alimentação, sabe-se que estamos no pais onde faz muito frio e estamos sem meios financeiros para comprar vestuários para o Inverno”, relatam os estudantes.

E perguntam: “Nós bolseiros perguntamo-nos como iremos viver com essa situação? Visto que a rede VISA cancelou os seus serviços com o país, e dificultando mais o processo de envio de divisas pelos nossos encarregados de educação”.

Eis a carta ao director do INAGBE, Moisés Kafala Neto

“Assunto: Esclarecimento sobre os subsídios de bolsa em atrasos.

Nós, estudantes residentes na Federação Rússia vimos por intermédio desta apresentar as nossas aflições e apelar pela revisão da situação económica que nós bolseiros na Rússia temos atravessado.

É muito difícil ter um bom aproveitamento académico enquanto haver problemas financeiros, pois sem dinheiro não há material escolar, não haverá saúde.

Temos atravessado tempos difíceis já que os cartões VISA foram cancelados e alguns serviços de envio de dinheiro também foram bloqueados, sabe-se que actualmente auferimos uma bolsa do governo no valor de 1500 USD bimensal.

Visto que já se fez alguns pagamentos de quatro meses em alguns países tais como Portugal, Marrocos, Índia, Cuba, Polónia e outros. Já na Rússia a realidade é bem diferente. Tem estudantes que foram pagos dois meses e outros apenas um mês e a alguns estudantes nenhum mês lhes foi pago.

Entramos em comunicação com os senhores do SAE (Sector de Apoio Estudantil) com intuito de sabermos o que realmente se passa, e os mesmo não nos dão uma explicação viável.

Numa das entrevistas, o Ministro do Ensino Superior, Sr. Adão do Nascimento disse que seriam disponibilizadas verbas correspondente aos meses de Outubro de 2015 a Abril de 2016 (entrevista, arquivo da TV ZIMBO, do dia 20 de Abril de 2016).

Por este motivo surgiu a necessidade de fazermos esta carta e enviar juntamente com os nossos estratos bancários e uma lista nominal assinada por nós. Pedindo esclarecimentos da outra parte dos subsídio, já estamos no meio do mês de Julho e a SAE entrara de férias.

Como filhos (estudantes) pedimos ao Sr. Director que analise as nossas inquietações e resolver o atraso dos nossos subsídios, na qual estão em falta. Tendo em conta que a promessa foi de ser pago os meses em atraso, nós como estudantes temos cumprido com os nossos deveres com bom aproveitamento académico acima da média. Uma vez formados trabalhemos em prol da sociedade.”

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