GABÃO. A análise dos resultados finais das presidenciais no Gabão, que permitiram a reeleição de Ali Bongo por uma curta margem mostram “uma anomalia óbvia”, anunciou hoje a missão de observação da União Europeia (UE).

“Uma análise sobre o número de não votantes e dos boletins brancos e nulos mostra uma anomalia óbvia nos resultados finais do Alto-Ogooué”, província bastião da etnia Téké, dos Bongo, que registou uma taxa de participação de 99,93% e que permitiu ao presidente ser reeleito, indicou a chefe dos observadores da UE, Mariya Gabriel.

O Alto-Ogooué é uma das nove províncias do Gabão, na qual, segundo os números oficiais, 95% dos 99% que votaram escolheram Ali Bongo.

Segundo a comissão eleitoral, Ali Bongo, 57 anos, foi reeleito para um segundo mandato de sete anos, com 49,80% dos votos contra 48,23% para o líder da oposição Jean Ping. Uma diferença de 5.594 votos, num total de 627.805 recenseados.

O anúncio da reeleição de Ali Bongo na quarta-feira foi seguido de tumultos e pilhagens em Libreville e noutras cidades do país. Na capital, o parlamento foi incendiado por manifestantes.

Os protestos contra uma alegada fraude eleitoral e a sua repressão já causaram entre 800 e 1.100 detidos e três mortos, segundo o Governo gabonês, embora a oposição fale de 10 vítimas mortais.

Ping, que se declara “presidente eleito”, lançou na segunda-feira um apelo a uma “greve geral” para bloquear a economia do país.

A União Europeia e os EUA tinham pedido a publicação dos resultados no Gabão “por assembleia de voto” para evitar suspeitas.

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