Na próxima sexta-feira, dia 7, será anunciado o vencedor do Nobel da Paz 2016. Mais uma vez a Academia Sueca esqueceu-se do mais alto representante divino para a civilização moderna, sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos. Lamentável.

Por Norberto Hossi

Ao excluírem mais uma vez o “escolhido de Deus”, a revolta vai instalar-se no regime e as repercussões mundiais serão graves. Todos sabemos que quando regime angola espirra, o mundo apanha uma grave pneumonia. O MPLA através dos impolutos órgãos de comunicação social do regime, nomeadamente, do Jornal de Angola, vai com certeza declarar a Academia Real Sueca “persona non grata”, prevendo-se a promulgação de um decreto, com efeitos retroactivos, em que se corta todo o tipo de relações com aquela instituição.

De facto, e aqui o Folha 8 manifesta a sua solidariedade, não se compreende que já tenha atribuído o Prémio Nobel da Paz a, por exemplo, Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que alertou o mundo para o direito à educação, em particular das raparigas, juntamente com o activista indiano pelos direitos das crianças, Kailash Satyarthi, esquecendo-se de José Eduardo dos Santos.

Deixemos de lado o vencedor de 2015, o Quarteto de Diálogo para a Tunísia. O que fizeram, por exemplo, Kailash Satyarthi e Malala Yousafzai que se possa comparar ao que tem feito, desde 1979 (e mesmo antes), o Presidente vitalício de Angola?

Todo o mundo sabe que José Eduardo dos Santos foi a figura africana do ano dos últimos 37 anos e, certamente, a figura mundial dos últimos 13. Ou será que ser pai de Isabel dos Santos não conta?

Todos os anos, quem manda no país diz que o Prémio Nobel para o presidente, não eleito nominalmente e há 37 anos no poder, seria o mais elementar reconhecimento de que Eduardo dos Santos é “o líder de um ambicioso programa de Reconstrução Nacional”, que a “sua acção conduziu à destruição do regime de “apartheid”, teve “um papel de primeiro plano na SADC e na CDEAO”, que “a sua influência na região do Golfo da Guiné permitiu equilíbrios políticos, tal como permitiu avanços significativos na crise de Madagáscar”.

Como escreveu o Jornal de Angola, também ele digno de um Nobel da Literatura, “Angola já foi um país ocupado por forças estrangeiras, se por hipótese hoje Angola fosse a Líbia, o país estava novamente a atravessar um período de grande instabilidade e perturbação. Mas como o tempo não recua, Luanda é uma cidade livre”. E tudo graças a quem? A quem? Eduardo dos Santos, obviamente.

“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”, ao “escolhido de Deus”) estava a ser cercada militarmente e bombardeada por uma aliança militar e submetida a todos os outros membros dessa organização bélica, que tinham escolhido para presidente de um qualquer CNT um “rapper” com nome de oxigénio, devidamente ajudado por outro com apelido de marechal”, dizia o JA do alto da sua cátedra de correia de transmissão de um regime que colocou o país no topo do mais corruptos do mundo.

Deus não deve saber disso, mas a Academia Sueca sabe.

A Academia Sueca parece, contudo, esquecer pontos fundamentais:

“O Presidente José Eduardo dos Santos não governa há 37 anos. Ele é o líder de um povo que teve de enfrentar de armas na mão a invasão de exércitos estrangeiros e os seus aliados internos”;

“José Eduardo dos Santos foi o líder militar que derrubou o regime de “apartheid”, o mesmo que tinha Nelson Mandela aprisionado. José Eduardo dos Santos só aceitou depor as armas quando a Namíbia e a África do Sul foram livres e os seus líderes puderam construir regimes livres e democráticos”;

Foi graças a José Eduardo dos Santos que Portugal adoptou a democracia, que a escravatura foi abolida, que D. Afonso Henriques escorraçou os mouros, que Barack Obama foi eleito e que os rios passaram a correr para o mar;

O divino carisma de José Eduardo dos Santos tornou-o o mais popular político mundial, pelo menos desde que Diogo Cão por cá andou. Tão popular que bate aos pontos Nelson Mandela, Martin Luther King e até mesmo Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi.

José Eduardo dos Santos tem feito tudo para que os portugueses não vão ao fundo com a crise. Eles mais do que ninguém deviam propor o seu nome para Prémio Nobel da Paz.

Também concordamos que Eduardo dos Santos merece um Prémio Nobel que, contudo, ainda não existe. Ou seja, um Nobel que distinga quem é o principal responsável por Angola ser – entre muitas outras realidades – um dos países mais corruptos do mundo, por ser um dos países com piores práticas democráticas, por ser um país com enormes assimetrias sociais, por ser o país com o maior índice de mortalidade infantil do mundo.

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