Xanana Gusmão demitiu-se hoje do cargo de primeiro-ministro de Timor-Leste, numa carta endereçada ao Presidente da República, Taur Matan Ruak.

“V enho apresentar a vossa excelência o meu pedido de demissão, assegurando-lhe que irei continuar a estar disponível para servir os melhores interesses do Estado e da Nação e pela intransigente defesa e consolidação da independência e soberania nacional, contribuindo na promoção da unidade nacional e sentido de responsabilidade por parte dos cidadãos”, escreveu Xanana Gusmão.

Na carta de duas páginas, o líder timorense explicou que a sua demissão se prende com o “entendimento comum” da necessidade de “uma reestruturação profunda, que permita assegurar, nestes dois anos e meio que restam ao Governo, uma maior dinâmica em termos de eficiência”.

Essa reestruturação, disse, permite ainda “uma maior convergência de acções na implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento e, fundamentalmente, na prestação de serviços à população” timorense.

“Esta remodelação implica também e sobretudo dar a oportunidade a uma nova geração de líderes para governar, não só a nível ministerial mas também ao nível da chefia de todo o Governo”, explicou.

Xanana Gusmão recordou que desde 2013 – quando pela primeira vez, no parlamento, falou deste tema -, se gerou um debate alargado na sociedade timorense, envolvendo partidos políticos, sociedade civil e media.

“Destes debates, pode-se dizer que se tornou ampla a consciência de que é chegada a altura de preparar as gerações mais novas para dirigirem os destinos da nossa Nação, sendo para isso necessário efectuar-se uma transição harmoniosa e gradual”, disse.

Na carta, com data de hoje, Xanana Gusmão considerou “um grande privilégio poder servir o Estado e o povo timorense” e uma “honra” a “responsabilidade de chefiar o IV e V Governos Constitucionais”.

Agradeceu ainda a “cooperação institucional” com a Presidência da República e a Taur Matan Ruak deixou uma “palavra de apreço pela sua notável liderança”.

Será que agora, ou alguma vez, Xanana Gusmão responderá a perguntas relacionadas com as centenas de milhões de dólares em contratos de petróleo concedidos ao seu sobrinho Nilton Gusmão ou outros oferecidos a membros da sua família?

Provavelmente Xanana Gusmão será substituído por Rui Araújo, actual dirigente da Fretilin.

Recorde-se que dos 55 ministros do actual governo, um número de ministros-chave demitiu-se ou foi demitido, incluindo a controversa ministra das Finanças, Emília Pires, juntamente com dirigentes do partido CNRT de Xanana Gusmão e membros da coligação do Partido Democrático e Frente-Mudança.

Admite-se que seja possível que Xanana Gusmão continuar no novo governo, mas como se diz, como tudo em Timor-Leste, se for essa a sua vontade. Ele pode ainda querer puxar os cordelinhos como mestre manipulador de marionetas.

Recorde-se que depois de vencer as eleições de 2012 Xanana Gusmão nomeou um incrível número de 55 ministros principais e auxiliares e de imediato comprou-lhes novos Toyotas com tracção às quatro rodas como prémio por fazerem parte do governo.

Tudo isso ao mesmo tempo que a economia azedava, a pobreza, a má nutrição e o desemprego pioravam e a corrupção e o nepotismo atingiam novos picos.

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