O líder da UNITA rejeitou hoje que Angola esteja em crise, como anunciou o Governo, devido à baixa do preço do barril do petróleo no mercado internacional, recordando que foram feitas reservas durante alguns anos para resolver situações como esta.

I saías Samakuva diz que, “na nossa maneira de ver, o país não está em crise, porque essa alteração do preço do petróleo é algo que toda a gente previa. Por experiência, sabemos que o preço do petróleo não está estabilizado durante décadas, há sempre possibilidades de baixar”.

O líder da UNITA falava durante um encontro informal que manteve hoje com a imprensa, em Luanda, para abordar a actual situação do país.

Recordou que foi neste contexto que foram feitas reservas pelo Governo, sobretudo do excedente das receitas do petróleo.

“Tínhamos durante os últimos dois anos, se não estou em erro, o preço de cada barril avaliado em 98 dólares, quando sabíamos que estava acima de cem dólares”, clarificou o líder da UNITA.

“O que precisamos hoje, quando o preço do petróleo baixa, é exactamente utilizar estes montantes, tanto os que estão no Fundo Soberano de Angola, como os que constituem outras reservas”, frisou ainda.

Face à forte quebra na cotação internacional do petróleo, o executivo angolano, do MPLA de José Eduardo dos Santos, já anunciou uma revisão do Orçamento Geral do Estado de 2015.

Por outro lado, Isaías Samakuva defendeu que o corte à subvenção dos combustíveis levado a cabo pelo Governo devia ser efectuado de forma selectiva, com a identificação de sectores produtivos, como transportes, pescas e agricultura.

“O que está a acontecer agora é que a sociedade acorda e os preços dos combustíveis estão altos, e ninguém foi avisado, ninguém sabe se para ali ou vai continuar e achamos que o cidadão precisa de ser informado, respeitado”, disse o político.

Questionado sobre a situação da UNITA, nomeadamente se pretende recandidatar-se à liderança do partido no XII congresso a ser realizado este ano, Isaías Samakuva considerou ser muito cedo para responder à pergunta.

“Não chegou ainda a altura, sabemos que vamos fazer o congresso, mas o partido tem outras prioridades que também precisa de enfrentar”, rematou.

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