A Organização de Pioneiros Agostinho Neto (OPA) assinou, hoje, em Luanda, com representantes de alguns organismos públicos (leia-se do MPLA), protocolos de cooperação, com o objectivo de despertar o interesse nas crianças pela escolha das profissões nos diferentes ramos no futuro.

Por Orlando Castro

C onstam dos organismos que assinaram o acordo com a OPA, nesse sentido, o Ministério da Agricultura, a Brigada Especial de Incêndios, a Polícia de Intervenção Rápida, Serviços de Bombeiros e Protecção Civil, as Brigadas Especial de Trânsito, de Helicópteros e de Cavalaria.

A cerimónia, no Instituto Nacional da Criança (INAC), foi presenciada pelo presidente da OPA, António Rosa, representantes do Instituto Nacional da Criança, membros do Conselho Nacional da Criança e do Ministério da Educação. A actividade decorreu sob o lema “Estudar, Estudar”, que visa o empenho das crianças nas suas actividades sobretudo durante as aulas.

Se as crianças não aprenderem hoje, amanhã terão de reeducadas no âmbito da basilar estratégia da chamada “Educação Patriótica”

Na ocasião, António Rosa salientou que no sector da Educação, a cooperação será direccionada nas actividades extra-escolares, educação moral e cívica e, lá está, patriótica.

A Organização de Pioneiros de Agostinho Neto “controla” (assim escreve a Angop), actualmente, cerca de 600 mil membros, distribuídos pelas 18 províncias do país.

Ainda tenho memória (e ao dizer que a tenho estou certamente a cometar um crime contra a segurança do Estado, podendo ser indiciado por tentativa de golpe de Estado) de no dia 20 de Junho de 2009 o então governador do Huambo, Albino Malungo, dize que a OPA devia ser parceiro e ajudar o governo a desenvolver programas para o bem-estar das crianças.

Pioneiros? Exactamente. Tal e qual comos nos tempos da militância marxista-leninista do pós-independência (11 de Novembro de 1975). Uma organização similar à Mocidade Portuguesa dos tempos de um outro António. Não António Agostinho Neto mas António de Oliveira Salazar.

Albino Malungo, que falava na cerimónia de abertura do segundo seminário provincial de capacitação dos quadros da OPA, acrescentou que estes programas não devem ser só para os que militam na OPA mas para todos os petizes.

Estes programas deveriam era ter acabado há muito. Num Estado de Direito, que Angola diz – pelo menos diz – querer ser, não faz sentido a existência de organismos de lavagem ao cérebro e de viciação dependente de quem está no poder desde 1975, o MPLA.

Segundo o então Governador do Huambo, a OPA devia (deve, deverá) trabalhar com o executivo na educação das crianças, para que tenham amor à pátria, aos estudos, à família, bem como na conservação da natureza e limpeza de locais públicos.

Albino Malungo, tal como António Rosa, sabia que o único objectivo da OPA é o amor cego e canino ao MPLA, como se este partido fosse ainda o único, como se MPLA e pátria fossem sinónimos.

Treze anos depois de a UNITA ter decido entregar o ouro ao “bandido”, a troco de uns pratos de lagosta para uns tantos e de fuba, peixe podre e panos ruins para a maioria, o MPLA continua a manter intactas as suas estruturas de manipulação.

São as mulheres do MPLA, os pioneiros do MPLA, os veteranos do MPLA, os chefes militares do MPLA, os políticos do MPLA, os governadores do MPLA, a Polícia do MPLA, o PGR do MPLA. Tudo é MPLA.

E ao pôr todas estas estruturas a advogar a torto e a direito a pertinência da manutenção da paz, das duas uma: Ou temem que existam ainda alguns canhangulos operacionais e capazes de fazer estragos, ou preparam-se para pela força (como faz em Cabinda com Marcos Mavungo e em Luanda com os jovens activistas) criar manobras de diversão para justificar uma qualquer purga, até mesmo – como aconteceu a 27 de Maio de 1977 – dentro do próprio MPLA onde, apesar do medo, começam a aparecer algumas importantes vozes a discordar do dono do país.

E se os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, que provocaram milhares de mortos, foram o resultado de uma provocação, longa e pacientemente planeada, tendo como responsável máximo Agostinho Neto, que temia perder o poder, será que o actual “querido líder” está, ou teme vir a estar, na mesma posição?

Será que, como em 1977, Angola tem algum Nito Alves, ministro ou não, político ou não, chefe militar ou não, disposto a protestar contra o rumo despótico do MPLA?

E se tem, voltaremos a ter, tal como em 12 de Julho de 1977, uma declaração oficial do Bureau Político do MPLA a falar de uma “tentativa de golpe de Estado” por parte de “fraccionistas” do movimento, cujos principais “cérebros” serão, já não Nito Alves e José Van-Dunem, mas uns tantos que Eduardo dos Santos não suporta nem com molho de tomate?

E é assim. Ou se é do MPLA ou se é culpado até prova em contrário. Essa peregrina ideia que a Oposição (política ou social) tem de que Angola é uma democracia, um estado de direito e uma sociedade livre só pode resultar nisto. Aliás, todos sabem que os simpatizantes da Oposição são uma subespécie de angolanos e que, por isso, nunca poderão ter os mesmos direitos dos cidadãos de primeira.

Quando muito, terão direito a mandioca e cachipembe ou, em alternativa, a peixe podre, fuba podre e porrada se refilarem.

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