Angola participa, amanhã e terça-feira, em Madrid, Espanha, numa reunião especial do Comité contra o Terrorismo do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). E quem melhor do que a equipa de Eduardo dos Santos para falar sobre o assunto?

E spanha é, aliás, um local emblemático para o regime de Eduardo dos Santos, sobretudo quando estão a aumentar as pressões para que o parlamento espanhol investigue o escândalo de corrupção na venda de armas a Angola, em que o general Armando da Cruz Neto esteve alegadamente envolvido.

É claro que o regime angolano vai puxar dos galões de membro do Conselho de Segurança para brilhar neste encontro no qual participam mais de 200 peritos de 70 países, centrados sobretudo nos problemas originados pelo Estado Islâmico (EI).

Além dos especialistas, participam também na reunião ministros do Interior e de Relações Exteriores e vice-ministros de 30 países, que vão avaliar as estratégias de combate ao terrorismo internacional. E enquanto o pau vai e vem… folgam as costas dos envolvidos noutras espécies de terrorismo.

Angola é representada na reunião de Madrid pelos ministros do Interior, Ângelo Tavares, e das Relações Exteriores, Georges Chicoti.

Numa cimeira de líderes nacionais, em Setembro do ano passado, o Conselho de Segurança pediu a todos os Estados para empreenderem medidas de urgência para deterem os combatentes estrangeiros do Estado Islâmico, cerca de 30 mil, originários de vários países.

Os debates têm como foco a detecção, intervenção e recrutamento, e a prevenção das viagens desses combatentes, os processos e a reabilitação dos rebeldes que regressam aos países de origem.

As conclusões da reunião são compiladas numa resolução para posterior aplicação pela Organização das Nações Unidas, que servirá de roteiro aos Estados para defender o fluxo de combatentes terroristas estrangeiros.

De facto a comunidade internacional está preocupada na luta contra o radicalismo islâmico. Quanto ao resto, o mundo que espere. Conflitos regionais, violações dos direitos humanos, genocídios etc. foram relegados para segundo plano.

Aliás, o terrorismo é qualificado em função do número de vítimas e de os seus dirigentes serem, ou não, primeiros-ministros ou presidentes. Por ser responsável por três mil desaparecidos, Augusto Pinochet e o seu governo foram uns monstros. Já por ter morto Nito Alves e apenas mais uns largos milhares de compatriotas, o MPLA é um exemplo para a humanidade.

Exemplo onde pontificam, entre outros, Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos.

E, já agora, do lado dos terroristas maus, a UNITA, importa recordar os que morreram para dar voz aos que a não tinham. Entre outros, Jeremias Kalandula Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces, Elias Salupeto Pena, Eliseu Sapitango Chimbili, Jonas Savimbi, António Dembo e Arlindo Pena “Ben Ben”.

Mas regressemos a Espanha. A imprensa espanhola diz que deputados socialistas querem que se forme uma comissão especial para investigar as actividades da companhia Defex que, alegadamente, sobre-facturou ao governo angolano em mais de 100 milhões de dólares para a venda de armas e material à policia nacional.

O ministro do interior espanhol, Jorge Fernandez Diaz, recusou-se, recentemente, a responder a perguntas de deputados da Esquerda Unida sobre o caso, porque os dados tributários da companhia estão protegidos pela lei e que as investigações à alegada corrupção estão neste momento sob sigilo da justiça.

Fontes parlamentares espanholas disseram ser pouco provável que a assembleia concorde numa comissão de investigação antes das férias de verão e que depois disso a assembleia irá preparar-se para as eleições gerais.

Sabe-se, no entanto, que as autoridades judiciais decidiram alargar as investigações que resultaram na prisão de várias personalidades ligadas à companhia e ainda de uma advogada, Beatriz Garcia, que a partir do Luxemburgo criou alegadamente companhias e abriu contas em diversas partes do mundo para receber os fundos desviados.

Segundo os dados anteriormente divulgados em tribunal, duas companhias espanholas, Defex e Comercial Cueto 92, formaram o que na legislação comercial espanhola é conhecido como uma Union Temporal de Empresas (UTE), que em 2008 firmou um contracto com Angola para o fornecimento de equipamento policial no valor de cerca 207 milhões de dólares.

Os dados revelados na audiência indicam que cerca de 56 milhões de dólares foram transferidos para um banco do Luxemburgo sem razão comercial ou actividade comercial justificativa. Os acusados terão falsificado facturas e outros documentos para tentar “lavar” os fundos.

Como beneficiários desses fundos figuram os acusados espanhóis e “familiares de funcionários públicos da República de Angola”.

A acusação afirma que os detidos “se concertaram com funcionários angolanos para através do contracto de entrega de material à polícia levar a cabo uma apropriação patrimonial ocultada desviada para o estrangeiro mediante um complexo esquema de sociedades em paraísos fiscais”.

Foi também já revelado em tribunal que uma das pessoas que terá alegadamente recebido fundos desse negócio é o general Armando da Cruz Neto, que foi embaixador angolano em Espanha, entre 2003 e 2008, e mais tarde governador de Benguela.

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