Os Serviços de Investigação Criminal continuam a apertar com membros do Movimento Revolucionário que estariam, segundo as autoridades, a preparar um golpe de Estado. Tinham em seu poder todo o material necessário para esse efeito. A saber: 12 esferográficas BIC (azuis), um lápis de carvão (vermelho), três blocos de papel (brancos) e um livro sobre a ditadura.

O s activistas Luaty Beirão, Nito Alves e Domingos da Cruz, foram transferidos esta terça-feira da cadeia de Calomboloca para uma esquadra de Luanda, onde hoje estão a ouvidos pelos inspectores/peritos do Serviços de Investigação Criminal (SIC).

Os três activistas fazem parte desse perigosíssimo grupo acusado de planear um golpe de Estado, admitindo os peritos do regime que o material confiscado revela uma alta sofisticação tecnológica, pelo que terão pedido a colaboração dos técnicos da BIC para saberem ao pormenor o que ocultavam as 12 (doze) esferográficas.

Ainda sem terem a certeza do material usado para fabricar a lista de personalidades que poderiam vir a formar o novo governo de salvação nacional, resultado óbvio do golpe de Estado, os investigadores não sabem como descalçar a bota relativa a alguns dos nomes da lista e que são figuras de relevo no MPLA.

São os casos do ministro da Defesa e ex-secretário-geral do MPLA, João Lourenço, e do antigo governador de Luanda, Aníbal Rocha, cujos nomes constam da referida lista.

Em entrevista à DW África, o jurista Albano Pedro disse que, se a Procurador-Geral da República convocou o “Filomeno Vieira Lopes com fundamento nesta lista, então tem de chamar todos.” No entanto, diz que tendo em conta o comportamento da justiça angolana as figuras ligadas ao MPLA incluídas numa eventual lista de um governo de Salvação Nacional não serão chamadas a depor.

“Os órgãos de justiça actuam com falta de sentido de imparcialidade. Nós estamos habituados a isso, basta olhar para as questões das manifestações: proíbem-se certas manifestações, devidamente solicitadas, mas autorizam-se outras, eventualmente não solicitadas. Claro que estamos num país em que, efectivamente, nem sempre os órgãos da administração do Estado e da justiça seguem a lei à risca,” afirmou Albano Pedro à DW África.

A referida lista, que a Procuradoria Geral da República alega ser matéria que prova, comprova, recomprova o tentativa de golpe de Estado, foi colocada nas redes socias por Albano Pedro. Por isso, ele diz que a acusação contra os activistas é um ato meramente político.

“A denominação do Governo de Salvação Nacional fui eu mesmo quem lançou, nas redes sociais, abrindo o debate. É claro que terei iniciado com alguns nomes e a lista foi sendo composta pelos internautas – foi uma composição feita com a interacção de vários internautas. Eu penso que o Ministério Público está com sérias dificuldades de atestar a idoneidade dos meios de prova. Por isso mesmo vai estendendo agora a lista de indivíduos e está a fazer depoimentos para ver se daí pesca algum elemento que ajude a dar credibilidade ao chamado meio de prova,” opina Albano Pedro.

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