Como era esperado, Eduardo dos Santos deu ordens à administração da Sonangol para rejeitar um cenário de “falência técnica” ou de “bancarrota” na petrolífera estatal. E assim foi feito. Reunindo alguns indicadores, a petrolífera diz que possui capitais suficientes para satisfazer todas as obrigações imediatas e de curto prazo.

E m causa estão notícias recentes, nomeadamente aqui no Folha 8, que apontam para – entre outras – uma crise financeira que a empresa viverá, fruto da conjuntura petrolífera e dos investimentos internacionais realizados nos últimos anos.

Em comunicado no qual alude “à hipotética ‘falência técnica’, ‘bancarrota’ e ‘crise'” na Sonangol, transmitidos por “artigos de opinião”, a administração da empresa afirma serem considerações que revelam “insuficiente análise e conhecimento da empresa”.

Refere que a Sonangol possui um nível geral de endividamento actual de 13.786 milhões de dólares, contra um nível de capitais próprios superior a 21.988 milhões de dólares.

“Tal confere um índice de solvabilidade financeira de longo prazo inferior a 63%”, lê-se no comunicado, reconhecendo que a empresa “possui capitais circulantes suficientes para satisfazer, em plenitude, as suas obrigações imediatas e de curto prazo”.

A Sonangol assegura também manter o programa de investimentos, avaliado em 6.700 milhões de dólares, em todos os segmentos, dos quais 58% em exploração e produção de petróleo bruto, 15% em refinação de petróleo bruto e 10% em distribuição e logística de combustíveis.

Além disso, a Sonangol assume que a 31 de Dezembro de 2014 o lucro operacional (EBITDA) da empresa “excedia em 1.650 milhões de dólares a sua dívida líquida”, revelando “a sustentabilidade operacional do endividamento e a preservação de liquidez suficiente para as adversidades conjunturais”.

Angola enfrenta dificuldades financeiras devido à forte quebra da cotação internacional do barril de crude, produto que representa 98% das suas exportações, o que levou o Executivo a rever o Orçamento Geral do Estado para 2015, cortando um terço de todas as despesas públicas.

Apesar deste cenário, a Sonangol afirma que “os sinais” do primeiro semestre deste ano “são animadores” e que não prevê “qualquer agravamento substancial” da estabilidade conjuntural em 2015.

Sublinha ainda que a produção nacional de petróleo bruto está hoje 11,8% acima do nível verificado no primeiro semestre de 2014 e que o preço médio de exportação realizado pela Sonangol está 35% acima do preço de referência de programação para o ano de 2015.

A administração assegura igualmente que as operações internacionais — que, de acordo com algumas dessas notícias recentes, estarão na origem dos apontados problemas financeiros da estatal angolana -, “decorrem com normalidade”, através das subsidiárias Sonangol Limited, em Londres, da Sonusa, em Houston, e da Sonasia, em Singapura.

“Prioriza-se a manutenção da quota da Sonangol nos mercados da China e da Índia. Simultaneamente, a Sonangol mantém as operações petrolíferas no Brasil e na Venezuela, além das actividades que conduzirão a perfuração do 1.º poço de pesquisa na República de Cuba”, garante a petrolífera e maior empregadora angolana.

Ainda assim, a administração admite que “como consequência dos ajustamentos conjunturais”, a empresa desencadeou, ainda em 2014, “um amplo processo negocial” da maioria dos contratos de aquisição de bens e serviços, através de negociações “longas” e “difíceis” que “encontrarão por certo alguns constrangimentos”.

“Estas abrangem toda a cadeia de valor de intervenção da empresa, desde a exploração e produção de petróleo bruto até às actividades não nucleares que desenvolve”, concluiu o documento.

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