O ministro dos Petróleos disse hoje, em Luanda, que o país tem pela frente “desafios grandes e tremendos” na formação de novos engenheiros, área com apenas 2.500 quadros, concentrados sobretudo na capital.

B otelho de Vasconcelos discursava na abertura do II Congresso Internacional da Ordem dos Engenheiros de Angola, que decorre até quarta-feira, tendo sublinhado a necessidade de “bons engenheiros” para o desenvolvimento da tecnologia e da inovação angolana.

“A insuficiência quantitativa de engenheiros e do ingresso de estudantes em curso de engenharias para fazer face às necessidades do país de incorporar tecnologias soma-se ao problema da qualidade da formação, que tem afectado boa parte do subsistema do ensino superior”, apontou o ministro.

Em declarações à imprensa à margem do evento, o bastonário da Ordem dos Engenheiros de Angola, José Dias, disse que o número de quadros actuais, apesar de capacitados, é insuficiente para enfrentar novos desafios.

Salientou que “a fuga às áreas de engenharia é por causa das matemáticas, físicas e químicas”, pelo que defendeu a necessidade de se realizar um grande trabalho para incentivar os jovens a enveredarem pelas áreas de Engenharia.

O responsável frisou que Angola precisa actualmente entre 10 a 15 mil novos engenheiros para suprir todas as deficiências que o país enfrenta.

“São novos desafios, somos um país jovem. Temos inúmeras áreas das engenharias que necessitam de muitos engenheiros. Hoje inclusive nós já estamos a entrar nas áreas humanas que são a biotecnologia, a biomédica e bioprocessos, que são áreas inovadoras e que também se precisa muitos engenheiros”, disse José Dias.

Segundo o bastonário, Angola possui maioritariamente engenheiros nas áreas tradicionais – civil, minas, mecânica, metalurgia, química – “mas precisamos de outras engenharias, área espacial, para meter o país a competir no concerto das nações”.

A formação de quadros, de acordo com José Dias, é o grande desafio, para o qual contam com a cooperação de Portugal, país com o qual possui acordos de mobilidade e de trânsito dos seus profissionais.

“Não podemos viver isolados da sociedade, temos que ter uma vida integrada no sentido de discutir os problemas de Angola, buscando sempre exemplos dos países que fazem as melhores coisas”, referiu o responsável.

O bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Carlos Matias Ramos, participa do encontro, que conta igualmente com contributos do Brasil e Cabo Verde, tendo apresentado o tema “O Papel do Engenheiro na Sociedade: Novos Desafios”.

Como não poderia deixar de ser, a “democracia” norte-coreana faz escola em Angola e o evento serve igualmente para homenagear o Presidente José Eduardo dos Santos, engenheiro de formação no ramo dos petróleos, pelas transformações que o país vem registando com a sua reconstrução, justificou o bastonário da Ordem dos Engenheiros de Angola.

O bastonário sabe que bajular é fácil, barato e pode dar muitos milhões.

Partilhe este Artigo