Perto de 300 trabalhadores portugueses participam na construção da maior barragem de Angola, em Laúca, no rio Kwanza, mas a obra faz-se em português também com milhares de operários angolanos e brasileiros.

O Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca vai produzir, a partir de 2017, cerca de 2.070 MegaWatts (MW) de electricidade, mais do dobro da capacidade das duas barragens já em funcionamento no mesmo rio, mas ainda insuficiente para as necessidades do país.

Localizada no município de Cambambe, na província do Cuanza Norte, a barragem foi encomendada pelo Estado por 4,3 mil milhões de dólares aos brasileiros da Odebrecht, envolvendo financiamento da linha de crédito do Brasil, para vir a servir cinco milhões de pessoas.

Entre 7.100 trabalhadores, sobretudo angolanos, há 26 portugueses directamente contratados pela Odebrecht, detentora da obra, e mais 249 ao serviço das empresas subcontratadas de origem portuguesa, casos da Somague Angola, Teixeira Duarte, Epos, Tecnasol e Ibergru.

A Somague tem a responsabilidade de executar as tomadas de água para as seis turbinas da barragem, que será uma das maiores de África, prevendo concluir os trabalhos em Setembro de 2016 estimando chegar a 500 trabalhadores no pico da actividade.

“Mas apenas cerca de 10% são trabalhadores expatriados porque estamos a colaborar no esforço de formação do povo angolano”, explicou à Lusa Ricardo Morais, o director de obra da Somague na barragem de Laúca.

Além de portugueses, o contingente de trabalhadores expatriados, que não supera 9% do total, integra sobretudo brasileiros, pelo que a maior obra em curso em Angola faz-se essencialmente em língua portuguesa.

“É complicado por vezes gerir [quantidade de trabalhadores], mas quando há um índice de motivação grande isso acaba por ser ultrapassado porque se trata um de megaprojecto e todos têm muito orgulho em participar, entre nacionais e expatriados”, reconhece o director de produção da Somague em Laúca, Hélder Ferreira.

A construção está já acima dos 46 por cento de concretização, com um volume de um milhão de metros cúbicos de betão compactado com cilindro já utilizados, de um total de 2,6 milhões previstos.

Só em betão envolverá o equivalente à construção de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos, explica a Odebrecht.

A implementação dos seis geradores que vão produzir electricidade implicou a construção de outros tantos túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza.

De acordo com Manuel Cai, responsável de produção na Odebrecht, a obra avança já a um ritmo de 150 mil metros cúbicos de betão compactado por mês e a formação da mão-de-obra angolana é outro ganho da empreitada.

“É uma obra imponente, gigantesca, da qual fazem parte muito jovens angolanos. São 56 jovens universitários, grande parte saídos directamente das universidades para o seu primeiro emprego, e 24 líderes operando como responsáveis pelo programa”, aponta o engenheiro angolano.

Esta construção envolverá 30.000 toneladas de aço nas montagens electromecânicas, o equivalente à construção de cinco torres Eiffel, além de 22.000 toneladas de cimento por mês.

Depois de concluída, só o enchimento da albufeira com a água do Kwanza levará quatro meses.

“É uma obra de uma envergadura em que talvez poucas pessoas tenham hipótese de participar, emblemática para todas as empresas e trabalhadores envolvidos”, conta Paulo Simões, um dos operários portugueses da obra de Laúca.

A 400 de quilómetros de Luanda, na cidade edificada para apoiar a obra, este encarregado afirma que os trabalhadores portugueses conseguem conviver em Laúca e assim ultrapassar as saudades da casa.

“Não conseguimos ter aqui a mesma oferta, mas temos um bocadinho de tudo. Tentamos descomprimir como nos meios urbanos e o pessoal [portugueses] junta-se, após o horário laboral, no ginásio ou no bar”, diz.

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