A falta de ética e sigilo bancário foram identificadas como uma das principais debilidades entre funcionários angolanos deste ramo financeiro, disse hoje em Luanda o director do Instituto de Formação Bancária de Angola (IFBA).

C ruz dos Santos falava hoje à imprensa à margem da abertura do seminário sobre “Desenvolvimento do Capital Humano, Formação e Produtividade”, para cerca de 80 funcionários da banca angolana, em parceria com o Instituto de Formação Bancária de Portugal (IFB-Portugal).

“Sabemos que há algum défice nos trabalhadores bancários, principalmente nos recém-admitidos, naquilo que são principalmente questões ligadas à ética. Há um défice ainda muito grande nesta vertente e noutras também”, referiu o responsável.

O director do IFBA sublinhou que o protocolo com o seu parceiro português visa revitalizar as estruturas de funcionamento daquela instituição, no passado sem condições para acompanhar o crescimento da banca em Angola.

“A nossa aposta está em dar formação em tudo que seja produto bancário. Estamos a falar hoje do branqueamento de capitais, a bolsa de valores está aí a sair. Em todas essas vertentes pensamos dar a nossa contribuição também”, frisou o director.

Por sua vez, o director para as Relações Internacionais do IFB-Portugal, Reinaldo Figueira, disse que a parceria tem como objectivo dar formação, começando por jovens candidatos à banca.

“Está a decorrer um curso desde o dia 09 de Fevereiro e alguns destes jovens já estão ser contratados pelos bancos e ainda nem sequer acabaram o curso. Porque é um curso que toca na ética bancária, no sigilo bancário, são tudo temas da ética da reputação, do comportamental, que são áreas muito importantes para qualquer empregado bancário”, sublinhou.

Segundo Reinaldo Figueira, os cursos são dirigidos igualmente a recém-licenciados candidatos à banca, mas também a empregados bancários.

“E aí nós estamos a detectar que efectivamente, no levantamento das necessidades de formação, que mesmo os empregados bancários, com dois, três anos de trabalho, precisam de muita formação bancária”, realçou o responsável português.

Reinaldo Figueira sublinhou que o seminário que hoje arrancou marca o reinício da parceria entre as duas instituições, estabelecidas em 1993.

Pode um regime sem ética falar de ética?

Recorde-se que a ética empresarial foi considerada como fundamental para depositar confiança, atrair retorno de investimentos e a sustentabilidade dos negócios, por ser um comportamento baseado em valores educacionais.

Em tese é isso mesmo. Mas quais são esses valores educacionais no nosso país? Os ensinados no tempo do partido único, ou nos tempo de vários partidos num país que funciona como tendo um só partido? Ou os assimilados na educação patriótica de culto canino ao chefe?

A tese da ética empresarial foi defendida pelo director nacional do Centro de Ética, António Muhungo, durante o seminário no Huambo, em Dezembro de 2014, sobre “ Ética no local de trabalho e ética empresarial”, promovido pela associação das mulheres empresarias da província do Huambo.

António Muhungo realçou que para se obter sucesso nos negócios, nesta época da globalização, além de oferecer serviços é necessário dar uma atenção especial na forma de interagir com os diversos grupos sociais que procuram ou se interessam pelos serviços prestados.

Será que a metodologia de dar uma atenção especial na forma de interagir com os diversos grupos sociais se aplica à política, aos negócios do Estado, ao exemplo do Governo?

António Muhungo diz ser necessário haver esforços conjugados, para se obter a ética desejada nas diversas instituições do país. É verdade. O problema está que, no paradigma do regime, conjugar esforços significa uns mandarem e outros obedecerem, uns serem donos da verdade e outros obedientes cidadãos, uns serem de uma casta superior e outros meros plebeus.

Quanto ao estado da ética em Angola, António Muhungo caracterizou-o como razoável, estando a atravessar a fase de sobrevivência para o reactivo, onde os empresários se preocupam com os riscos que correm os negócios na ausência deste valor.

Pois é. Num país que lidera os principais rankings mundiais de corrupção, será intelectualmente honesto e sério falar-se de uma ética razoável? António Muhungo sabe que não. Mas ao não dizer o que pensa, está só por isso a mostrar que o melhor é dar uma no cravo e outra na ferradura.

Em relação ao seminário, António Muhungo admitiu ser uma oportunidade especial para as mulheres empresárias do Huambo elevarem os seus conhecimentos, em prol do desenvolvimento do sector comercial e empresarial. É verdade. Sobretudo para aquelas mulheres que sabem ler nas entrelinhas, que sabem pensar pela própria cabeça. E são cada vez mais, é certo.

As mulheres, realçou o director nacional do Centro de Ética, constituem a maioria da população em Angola, e estão cada vez mais presentes na actividade comercial e empresarial, representando um grande reforço no processo de desenvolvimento económico nacional.

António Muhungo defendeu, por isso, a necessidade desta classe empresarial apostar na formação ético-profissional, no sentido de terem clientes fiéis, bons créditos bancários e fornecedores.

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