Cerca de 120 casos de rubéola foram registados, entre Julho e Agosto deste ano, no município do Soyo, província do Zaire, doença que é registada pela primeira vez naquela região de Angola.

O s 117 casos de rubéola, doença também conhecida por sarampo alemão, foram registados no hospital municipal do Soyo, segundo informou o chefe de secção da saúde pública e controlo de endemias, Pereira Francisco.

De acordo com o técnico de saúde, citado hoje pela agência noticiosa angolana, Angop, foram enviadas amostras para análise laboratorial em Luanda, que confirmou os casos de rubéola.

A rubéola é uma doença viral contagiosa, que se transmite pela via respiratória e tem como sintomas a febre, manchas vermelhas na pele, dores no corpo, dificuldades respiratórias, entre outras, que se podem confundir com outras doenças comuns na infância, nomeadamente o sarampo e a varicela.

Pereira Francisco frisou que a rubéola diagnosticada em mulheres grávidas é perigosa, já que pode causar malformações ao embrião, dizendo que para evitar a propagação da doença, os pais e encarregados de educação estão a ser aconselhados a deixarem os doentes longe de aglomerados populacionais.

A vacina contra a rubéola foi introduzida em 1969, tornando raras as ocorrências dessa doença em países desenvolvidos, continuando comuns em países menos desenvolvidos.

Doença do sono também está aí

Recorde-se, como Folha 8 noticiou, que o Instituto de Combate e Controlo da Tripanossomíase (ICCT) já registou este ano 22 novos casos da doença do sono, mas por dificuldades financeiras que Angola enfrenta está sem verbas para realizar campanhas de vigilância.

A preocupação foi manifestada pelo director-geral do ICCT, Josenando Teófilo, que na semana passada recebeu por Angola um certificado pela contribuição do país na execução da campanha pan-africana para erradicar a tripanossomíase.

A cerimónia de certificação aconteceu durante a 33.ª Conferência do Conselho Científico Internacional para a Tripanossomíase, realizada no Chade, entre 14 e 18 deste mês.

Segundo o responsável, Angola apresentou os dados sobre a situação da tripanossomíase humana africana e tripanossomíase animal no país nos últimos anos.

Josenando Teófilo disse que entre 2013 e 2014 foram examinadas 253.969 pessoas, das quais 165.907 em campanhas de prospecção activa, tendo sido diagnosticados 104 casos positivos.

De acordo com as estatísticas do instituto, em 2013 foram diagnosticados 69 casos e em 2014 foram registados 35, enquanto este ano foram já notificadas 22 pessoas infectadas.

Para o responsável, os números registados nos oito meses do ano em curso representam preocupação, comparativamente aos 35 registados em 2014, já que evidenciam uma tendência de aumento.

Josenando Teófilo sublinhou que os casos deste ano foram apenas diagnosticados em centros de diagnóstico e tratamento da doença do sono, já que, devido às dificuldades financeiras que o país regista, não foram realizadas campanhas de rastreio.

Além de não terem sido realizadas as campanhas de rastreio, a crise financeira causou igualmente a redução de outras actividades no terreno, o que poderá conduzir a uma nova situação calamitosa face à diminuição das medidas de vigilância, avançou ainda o responsável.

A província do Uíge lidera o número de casos registados este ano, com sete pessoas infectadas, seguindo-se o Zaire (5), Luanda (4), Bengo (4) e Cuanza Norte (2).

Relativamente à actividade de captura da mosca tsé-tsé, entre 2013 e 2014 foram colocadas armadilhas para a luta anti-vectorial, que resultaram na captura de 11,5 milhões de moscas.

Em Angola, a tripanossomíase, doença tropical negligenciada e transmitida pela picada da mosca tsé-tsé, está presente em 15 das 18 províncias do país, devido às suas características climáticas.

A mosca contaminada actua como vector inocula um parasita que afecta gradualmente o sistema linfático e nervoso, pelo que, sem tratamento, pode ser fatal.

Partilhe este Artigo