A cadeia central do Yabi, em Cabinda, viveu nesta segunda-feira (26.01) um motim que originou dezenas de feridos. Também alguns presos se evadiram. Maus-tratos e falta de comida estão na origem da rebelião.

Por Nelson Sul D’Angola (*)

O s mais de 300 reclusos rebelaram-se hoje contra as autoridades devido a constantes maus-tratos e à escassez de alimentos naquela unidade penitenciária, de acordo com informações colhidas pela DW África no terreno.

Os reclusos rebentaram os portões da prisão e alguns deles evadiram-se. A situação levou a intervenção das forças de segurança que alvejaram alguns reclusos. Também há registo de feridos graves.

Não há ainda qualquer informação sobre perdas humanas, tal como confirma o activista cívico do enclave de Cabinda, Francisco Luemba, que acompanha de perto o caso: “Pouco mais de 300 reclusos participaram nessa amotinação porque estão ofendidos. Nas últimas semanas têm passado fome, não há comida e têm sido submetidos a maus-tratos.”

Ainda de acordo com Francisco Luemba, eles “amotinaram-se, tiraram os portões da cadeia e saíram. A guarda da unidade penitenciária, certamente a equipa que estava de serviço e uns agentes da Polícia de Intervenção Rápida dispararam contra os amotinados, houve vários feridos.”

Na cadeia, uma cama para três ou quatro reclusos

Sobre esta situação a Ordem dos Advogados de Angola (OAA) diz ter ficado profundamente preocupada, argumentado que estão a ser violados os direitos humanos naquela unidade penitenciária.

O presidente do conselho provincial da Ordem dos Advogados em Cabinda, Arão Tempo, descreveu a situação no terreno como de “extremamente grave”.

E Arão Tempo revela: “Aqui em Cabinda, de facto, o que ocorre é que as condições são desumanas, porque numa só cama é capaz de dormir três ou quatro reclusos porque aquilo está superlotado. Assim não se pode dignificar a própria condição humana lá nas cadeias.”

O presidente do conselho provincial da OAA prossegue explicando como funciona o revesamento: “Há os que dormem e outros que estão acordados, e quando alguns acordam os que estão a aguardar ocupam o lugar para também poderem dormir e assim sucessivamente.”

OAA promete averiguar

O presidente do conselho provincial da Ordem dos Advogados de Cabinda, adiantou, por outro lado, que aquela instituição já redigiu uma carta com o intuito de exigir esclarecimentos junto das autoridades locais e manifestou a intenção da Ordem dos Advogados deslocar-se à cadeia central do Yabi, para averiguar o caso.

“Estou agora a redigir documentos para que o procurador provincial, que tem o poder de fiscalização da prisão, e também o comandante da Polícia que autorize o conselho provincial da Ordem dos Advogados dirigir-se in locopara se inteirar de toda e qualquer situação que ocorreu lá na cadeia.”

Até ao momento as autoridades policiais ainda não se pronunciaram sobre o sucedido. A DW África tentou obter uma reacção junto do comandante geral da Polícia Nacional, o comissário-geral Ambrósio de Lemos, mas este não atendeu os nossos telefonemas.

Fonte: Deutsche Welle África

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