A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a petrolífera Sonangol deverá ter tido no ano passado lucros “bem abaixo” dos cerca de 2 mil milhões de dólares que tem conseguido obter nos últimos anos.

“O s resultados da Sonangol são anunciados anualmente no final de Fevereiro e dada a severidade das medidas de corte na despesa [decretadas recentemente], é de esperar que os lucros anuais estejam bem abaixo dos 2 mil milhões de dólares que têm sido apresentados nos anos recentes”, lê-se numa nota aos investidores.

Na nota enviada aos investidores, os analistas da unidade de análise económica da revista britânica The Economist lembram que “as primeiras indicações de que a Sonangol poderá não estar em perfeita saúde financeira apareceram em Dezembro, quando a companhia assinou um empréstimo de 2 mil milhões de dólares com o China Development Bank, apesar de pouco tempo depois ter anunciado que ia gastar 140 milhões de dólares em dois novos navios petroleiros de um construtor coreano, Daewoo Shipbuilding and Marine Engineering”.

A Sonangol adoptou um conjunto de medidas de austeridade que incluem a revisão de todos os contratos da empresa, pagando apenas metade do valor actual, argumentando que o preço do petróleo tornou os instrumentos de gestão irrealistas.

“A acentuada redução no preço do petróleo desvirtua todas as previsões de arrecadação de receitas e consequentemente os custos e despesas projectadas tendo como referência o nível previsional inicial de arrecadação de receitas”, lê-se no ‘Guião para Redução e Contenção de Custos no triénio 2015-2017″, um autêntico manual de austeridade, que assume que “os instrumentos de gestão aprovados para o triénio 2015-2017 tornaram-se irrealistas, pelo que urge promover a sua revisão em linha com a nova conjuntura e capacidade efectiva da Sonangol”, sendo que “a revisão dos instrumentos de gestão para o triénio deverá ser realizada na base da austeridade”.

Este plano da Sonangol, uma empresa apresentada como tendo um “portefólio substancial de investimentos no estrangeiros, com interesses na banca, telecomunicações e imobiliário em vários continentes”, a EIU diz que a empresa “não está, no entanto, imune ao impacto da queda dos preços do petróleo”

O plano de austeridade, noticiado a 3 de Fevereiro, “deverá ter um grande impacto na indústria petrolífera angolana, onde operadores internacionais, como a BP, Total e Chevron já estão sob pressão por causa da queda das margens de lucro”, diz a EIU, avisando que “é essencial que as acções da Sonangol não ponham em perigo as operações, porque isso poderia afectar a produção, que já está bem abaixo do previsto, e levar a receitas ainda menores”.

Seria um desenvolvimento positivo, conclui a EIU, se os cortes produzirem um valor maior pelo dinheiro: “Apesar de ser frequentemente apresentada como um oásis de eficiência num país onde as empresas públicas estão geralmente inflacionadas, mal geridas e perdem dinheiro, a Sonangola tem sido desde há muito um veículo para compadrios, dando grandes salários e extensos benefícios aos gestores”, dizem os economistas, que alertam ainda que “cortar demasiado e demasiado depressa pode diminuir a capacidade operacional da empresa, e rasgar contratos vai afectar muito a sua reputação junto dos operadores internacionais”.

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