O ex-quadro do BES Angola (BESA) João Moita afirmou hoje que, em 2011, 41% do crédito concedido pelo banco não tinha garantias, uma percentagem que, diz, não será “muito diferente” de a de outras entidades angolanas.

“A percentagem que reportámos em 2011 era de 41%”, disse o responsável, em Lisboa, na Comissão Parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), depois de questionado sobre a percentagem de crédito concedido pelo BESA sem garantias.

De acordo com o responsável, foi enviado em 2011 um relatório para o BES, em Lisboa, onde tal percentagem era revelada. “Nem todo o crédito é dado com garantia”, vincou perante os deputados.

E acrescentou: “Por vezes dávamos crédito em que a garantia não cobria a totalidade do crédito. Para a realidade com que trabalhamos não é muita [a percentagem]. A minha sensibilidade é que não é muito diferente de outros bancos em Angola”, frisou.

João Moita foi director do departamento de risco do BES e, em 2011, foi convidado pelo antigo presidente do BESA Álvaro Sobrinho para integrar os quadros do banco angolano.

Aí permaneceu até Junho de 2013, era então Rui Guerra o presidente executivo, e posteriormente, e até agora, Moita trabalha em Angola num outro banco liderado por Álvaro Sobrinho.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de Novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de Fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objectivo “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades.

Legenda: João Moita, à esquerda, assessorou Álvaro Sobrinho quando este foi ouvido, o ano passado, no Parlamento português.

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