O director do Serviço de Investigação Criminal (SIC) do regime, Eugénio Alexandre, confirmou hoje, domingo, em Luanda, que o caso dos 15 jovens mais um já está em tribunal.

E m declarações à Rádio Nacional de Angola, Eugénio Alexandre disse que os jovens detidos estão bem e devem responder em juízo, depois de concluída a fase de instrução do processo, acrescentando que – espantem-se os deuses – caberá ao juiz decidir se os acusados aguardam o julgamento em liberdade ou não.

Recentemente, a Procuradoria-Geral do Regime (PGR) reiterou que foi feita a detenção de 15 cidadãos angolanos, por tentativa – dizem agora com uma linguagem diferente e mais credível – de promoção de acções que levariam a uma insurreição ou a uma situação em que a ordem e a tranquilidade pública seriam seriamente afectadas em Angola.

Segundo o vice-procurador-geral do regime, General Hélder Pita Grós, numa entrevista anterior à Televisão Pública de Angola, o objectivo era a alteração do poder político, da situação dos órgãos de soberania existente em função dos resultados eleitorais, um exercício que envolveu a participação de todos.

“Eles queriam alterar o presente quadro, quer o Presidente da República, a Assembleia Nacional e, portanto, houve de facto a necessidade de intervenção para não permitir que houvesse uma insurreição na sociedade, uma situação que qualquer um de nós não saberia o que fazer, porquanto os estudantes não poderiam sair para irem às aulas, os trabalhadores para os seus serviços e todo o mundo seria afectado”, explicou.

Que terríveis eram estes jovens activistas. Ou até mesmo terroristas da pior espécie, não era senhor vice-procurador-geral do regime, General Hélder Pita Grós?

Por isso, argumentou o magistrado, houve essa reacção, não para coartar a liberdade de expressão, mas em função dos actos que tinham em vista e que estavam a ser preparados devidamente.

“As consequências desta rebelião seriam incalculáveis. Não podemos dizer porque isso seria como uma bola de neve. Inicialmente podia ser que nada acontecesse, mas também podia acontecer tudo e, como se diz, mais vale prevenir do que remediar e as tantas não teríamos como remediar”, realçou, certamente escudado na experiência do 27 de Maio de 1977.

O vice-procurador-geral do regime, General Hélder Pita Grós, disse que já havia instruções no grupo e estavam a ser dadas formações para que fossem para os bairros mobilizar estudantes e trabalhadores para todos saírem à rua. E esse montão de jovens mobilizados teriam, é de crer, força militar suficiente (talvez através das lapiseiras atómicas da marca BIC) para derrotar as forças de segurança.

“Não sabemos o que poderia acontecer de concreto, mas uma coisa é certa a ordem e tranquilidade pública iriam ser seriamente afectadas”, acrescentou. Pois! E então a tese do golpe de Estado?

Sobre a possibilidade de se tratar de presos políticos, o General Hélder Pitra Grós defendeu a necessidade inicial de se fazer a diferença entre a liberdade de pensamento e de expressão, salvaguardada em Angola, porquanto as pessoas falam livremente, não existem mecanismos do estado que coartem esta liberdade e pode-se escrever livremente nos jornais e nas redes sociais sem receios.

Seis receios é como quem diz senhor vice-procurador-geral do regime, General Hélder Pita Grós. É como quem diz!

“Não foi por pensarem, pela consciência, que foram presos. Foram presos somente porque estavam a preparar actos que levavam a sublevação do poder instituído. Se fosse por pensamento, seriam presos muito antes, porque toda a gente sabe o que as pessoas envolvidas e detidas pensavam, falavam e escreviam”, justificou.

O vice-procurador-geral do Regime informou ainda que os 15 jovens já receberam visitas de deputados de partidos políticos, tal como a CASA-CE e a UNITA, que remeteram as suas preocupações em relação à situação destes à Procuradoria.

“Posso dizer que nenhum deles colocou a questão dos prazos de prisão puderem ser esgotados, da acomodação, do alojamento. Pediram somente que tivessem em conta a situação deles, para que os processos rapidamente pudessem ser concluídos”, frisou o responsável, para descartar as acusações, segundo as quais os detidos estão privados de contacto com outras pessoas.

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