O embaixador de Angola em Portugal, confirmou este sábado à Lusa que trabalhadores emigrantes portugueses estão a deixar o território angolano, na sequência da crise provocada pela queda nas receitas do petróleo, mas sem avançar números concretos.

“C omo resultado de alguma dificuldade momentânea de alguns pagamentos, há trabalhadores portugueses que estão a regressar a Portugal, alegando isto mesmo”, disse José Marcos Barrica.

Na sexta-feira, o Sindicato da Construção de Portugal afirmou estarem a regressar por mês de Angola para Portugal 500 trabalhadores do sector, tendo na mesma altura antecipando um agravamento da situação dados os salários em atraso em “mais de 200” empresas portuguesas que aqui operam.

“Só de trabalhadores ligados à construção estão, desde há cerca de três meses, a regressar de Angola 500 por mês e isto vai aumentar muito mais se não forem tomadas medidas”, afirmou, na sexta-feira, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro.

“Há muitos mais de outros sectores também a regressar”, referiu na mesma altura o representante sindical.

As declarações do Sindicato da Construção surgiram no seguimento de um relatório da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que avisou que a quebra de exportações para Angola e Brasil podia motivar o regresso de inúmeros trabalhadores de empresas portuguesas a Portugal.

Questionado hoje sobre esta matéria, o representante diplomático angolano em Lisboa afirmou acreditar que a actual situação será transitória e que “em breve” os trabalhadores portugueses, e também de outras nacionalidades, estarão de regresso ao território angolano.

“Angola tem uma dependência muito forte do petróleo, enquanto produto principal de exportação, qualquer oscilação, para baixo, do seu preço afecta a estrutura económica. Naturalmente, tendo afectado toda a estrutura económica do país, enfrentamos algumas dificuldades em honrar alguns compromissos, o que não significa que Angola se tenha demarcado da sua palavra e dos seus compromissos”, frisou José Marcos Barrica.

Segundo o embaixador, esta situação, que também afecta os próprios angolanos, uma vez que “o tecido empresarial tem dificuldades em realizar, de modo sistematizado e regular, as suas operações”, está a implicar um grande esforço por parte das autoridades de Luanda.

“Há medidas de curto prazo, de efeito imediato, que dizem respeito à regulação financeira, mas também outras medidas que já são estruturais, de longo prazo, como é o caso da necessidade imperiosa de fazer a diversificação económica para que situações deste género não voltem a perturbar a nossa vida económica em casos de desequilíbrios no preço do petróleo”, referiu.

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