O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, disse hoje, em Lisboa, que Portugal defende um aprofundamento do sector económico nas relações dos países-membros da CPLP, mas sem esquecer a importância identitária da língua portuguesa.

“A vertente económica nas relações da CPLP poderá afirmar-se através de plataformas de coordenação ao nível dos governos, instituições científicas e empresas, envolvendo também os países observadores em áreas transversais, tais como energia, (…) mas também das telecomunicações, transportes marítimos e aéreos, sector portuário, os mercados de capitais, a economia do mar”, disse Rui Machete.

O ministro dos Negócios Estrangeiros fez estas declarações na I Conferência “Energia para o Desenvolvimento da CPLP”, que se realiza até quinta-feira, no Centro de Congressos do Estoril.

Para Rui Machete, esta conferência “é o fórum privilegiado para uma reflexão sobre a dimensão geopolítica e económica dos recursos energéticos da CPLP, numa época em que quase diariamente se assiste à inclusão de inovações tecnológicas neste sector e as relações estabelecidas entre os países, as instituições internacionais e os grandes decisores empresariais encontram-se em acelerada transformação”.

O ministro lembrou ainda que “2,8 por cento da produção mundial de energia originária de fontes fósseis e renováveis foi assegurada por países da CPLP”.

“Se considerarmos as reservas comprovadas de gás e petróleo, estima-se que o espaço CPLP no seu conjunto, ocupa hoje o sétimo lugar do ranking mundial de produtores de hidrocarbonetos, com perspectivas de melhorar o seu posicionamento até o quarto lugar em 2025”, afirmou.

De acordo com Rui Machete, “metade das novas descobertas de gás e petróleo no mundo estão localizadas em países da CPLP, conferindo a esta comunidade uma importância estratégica incontornável”.

“A temática da energia está na ordem do dia e é fundamental que a CPLP se constitua um factor agregador de produtores e consumidores, tanto ao nível dos Estados como das empresas, e tal poderá representar um enorme impacto quer do ponto de vista económico, quer sob aspectos técnicos e de segurança energética”, referiu ainda.

O ministro declarou que os membros da CPLP estão “empenhados na dinamização da comunidade, não apenas da difusão e valorização da língua, mas também no aprofundamento do sector económico, “que constituem uma oportunidade de desenvolvimento para todos os seus membros, incluindo também os Estados observadores que potenciam a sua capacidade de intervenção”.

Rui Machete disse que Portugal está a acompanhar “com muito interesse” o projecto do Governo de Timor-Leste de promover um consórcio de empresas de países da CPLP para a exploração energética na área do petróleo.

Por outro lado, o secretário executivo da CPLP, Murade Murargy, disse que a organização lusófona pretende “valorizar o papel económico, financeiro e político do sector da energia no bloco lusófono e reconhecer o potencial geoestratégico do sector à escala global”.

“A CPLP já está a articular um grupo técnico de estudo aberto à participação dos Estados-membros para a exploração conjunta de hidrocarbonetos no espaço da CPLP. Trata-se de um consórcio para a exploração petrolífera no off shore de Timor-Leste”, disse Murargy, avaliando que será uma iniciativa que trará muitos benefícios para os países do grupo lusófono.

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