Um morto e dois feridos é o resultado provisório dos confrontos que hoje se registaram em Luanda entre militantes das duas alas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), no arranque do congresso ordinário do partido, o que levou à intervenção policial.

A sessão de abertura do congresso, que servirá para escolher a nova direcção, estava prevista para as 11:00, na sede do partido em Viana, arredores de Luanda, mas três horas depois ainda não se tinha iniciado devido à agitação que se vive no local.

No confronto físico e verbal entre elementos das duas facções do partido, pelo menos dois militantes ficaram feridos, apedrejados, e a polícia foi entretanto chamada a acalmar os ânimos, indicou fonte da FNLA.

Militantes e populares tiveram que se refugiar face à violência que se vive na zona, com pedras arremessadas.

O partido é liderado por Lucas Ngonda, um dos quatro candidatos à liderança no próximo mandato, que será votada no sábado, o segundo dia do congresso. A outra facção é liderada por Ngola Kabangu, destituído da liderança e que se assume igualmente como presidente da FNLA, um dos movimentos históricos da luta de libertação nacional.

“O congresso vai sair conforme previsto. Já pedimos a presença da polícia para a retirada dos que estão a fazer confusão”, disse aos jornalistas, no local, o porta-voz do FNLA, Laís Eduardo, aludindo à presença dos apoiantes de Ngola Kabangu.

Estes apoiantes mantêm-se no interior do recinto onde devia decorrer o congresso, gritando palavras de ordem em que pedem “diálogo”, sublinhando que sem o mesmo “não haverá” congresso”.

No local encontram-se representantes da UNITA, PRS e Bloco Democrático, outros partidos da oposição angolana convidados para este congresso.

Concorrem à presidência da FNLA ainda Pedro Gomes, Tozé Fula e David Martins, os três militantes oriundos da província do Bengo.

O encontro magno decorre sob o lema “Honremos a memória de Holden Roberto para uma FNLA indivisível”.

O congresso foi antecedido por várias críticas internas, nomeadamente da facção liderada por Ngola Kabangu, à legalidade desta eleição, envolvendo actos de violência.

Alegam ainda falta de diálogo e concertação interna pela liderança de Lucas Ngonda, colocando mesmo em causa se o partido terá condições para concorrer às eleições gerais de 2017.

Este congresso chegou a ser agendado para 25 a 28 de Janeiro, tendo sido adiado, segundo o partido, por razões logísticas.

Juntamente com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no Governo desde 1975, e com a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido da oposição, a FNLA foi um dos movimentos nacionalistas envolvidos na guerra pela libertação angolana do domínio colonial português.

Conhecido como o partido “dos irmãos”, a FNLA foi fundada há mais de meio século pelo histórico líder angolano Holden Roberto.

Contrariamente ao peso do MPLA e da UNITA no plano político angolano, a FNLA conta actualmente com apenas dois deputados eleitos ao parlamento e tem vindo a enfrentar vários problemas na sua organização interna.

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