O vice-procurador-geral da República (do MPLA) disse hoje que o processo dos 15 jovens activistas detidos desde 20 de Junho, suspeitos de prepararem um golpe de Estado, está em fase final de investigação, a concluir dentro de “poucos dias”.

A posição foi assumida pelo general Hélder Pita Grós após receber, a convite da Procuradoria, alguns dos familiares destes activistas, encontro que visou auscultar as suas principais preocupações, sobretudo quanto à demora processual e às condições de detenção dos jovens.

“Nós deveremos ter o processo concluso dentro de poucos dias, isso sim posso garantir porque é o nosso trabalho. Agora a fase seguinte, só depois disso é que saberemos. Se o processo vai para o tribunal, se há matéria de acusação”, disse o vice-procurador-geral da República de Angola, em declarações aos jornalistas.

O magistrado explicou ter informado as famílias, nomeadamente algumas mães destes jovens, que sobre o pedido de liberdade para os activistas se trata de um princípio universal respeitado em Angola, mas que apenas após a conclusão do processo será aferida a responsabilidade de cada um dos envolvidos.

“Todos nós temos isso em conta, são mães e quando um familiar nosso se encontra preso, o sentimento é sempre o mesmo, independentemente de quem seja. Portanto elas também estão imbuídas desse sentimento”, disse o general Hélder Pita Grós, sobre as preocupações transmitidas.

Os familiares questionaram igualmente o facto de os detidos terem sido distribuídos por várias unidades prisionais, ao que Hélder Pita Grós respondeu tratar-se de uma estratégia de interesse da instrução processual.

Os activistas, em prisão preventiva, foram distribuídos por estabelecimentos prisionais em Viana (quatro), Calomboloca (sete) e Caquila (quatro), na região de Luanda.

De acordo com o magistrado, foi endereçado o convite a todas as famílias, mas apenas três se fizeram presente no encontro de hoje.

Uma “marcha pacífica” anunciada para sábado, em Luanda, pelas mães e familiares destes 15 jovens detidos não foi autorizada pelo governo provincial, devido ao itinerário proposto, pela proximidade (100 metros, em termos legais) a edifícios de vários órgãos de soberania.

A marcha, que deveria percorrer várias artérias de Luanda iria culminar com a entrega de uma petição, a pedir a libertação dos jovens, na Procuradoria-Geral da República.

Entretanto, a mãe de um dos detidos, Osvaldo Caholo, tenente das Forças Armadas Angolanas, disse que “a intenção é fazer à mesma”, estando o arranque previsto pelas 13 horas, do Largo da Independência.

O anúncio desta marcha surge depois de uma manifestação que a 29 de Julho terminou com uma carga policial e de um concerto com centenas de pessoas no último domingo.

A Procuradoria-Geral da República (o MPLA) refere que os jovens detidos desde 20 de Junho – estudantes e licenciados – estariam a preparar um atentado contra o Presidente José Eduardo dos Santos –no poder há 36 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito – e outros membros dos órgãos de soberania, num alegado golpe de Estado, mas ainda não tem qualquer acusação formada.

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