O MPLA, partido que “só” está no poder em Angola desde 11 de Novembro de 1975, defendeu hoje – num manifesto atentado contra a inteligência dos cidadãos – que se deixe as instituições de justiça realizarem o seu trabalho sobre os 15 jovens activistas detidos por suspeita de crime contra a Segurança de Estado.

O posicionamento do partido liderado pelo também presidente da República, nunca nominalmente eleito, José Eduardo dos Santos, foi hoje expressado pelo secretário para a Informação do Comité Provincial do MPLA de Luanda, Norberto Garcia, em conferência de imprensa para suposto esclarecimento da recente visita do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, à China.

Norberto Garcia, instado a comentar as detenções de jovens activistas ocorridas no sábado em Luanda, referiu que o posicionamento do MPLA é não fazer “interferências em rigorosamente nada”.

“E aí devemos deixar que as instituições dos órgãos de justiça façam o seu trabalho e que venham explicar aquilo que eventualmente não seja do esclarecimento público”, referiu Norberto Garcia.

O político sublinhou ainda que o partido defende o respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos.

“Queremos sempre que a acção das autoridades seja aquilo que defendemos no nosso programa, nos nossos estatutos e nos nossos programas de governação. Queremos que os direitos humanos estejam sempre em primeira linha e é isso que nós queremos aqui dizer, respeitando sempre aquilo que está na lei, na Constituição”, disse o dirigente do MPLA.

Entretanto, o Procurador-Geral da República de Angola, João Maria de Sousa, colocou hoje a sua impressão digital na sentença determinada por José Eduardo dos Santos, confirmando a detenção de 13 jovens activistas “em flagrante delito”, na sequência de diligências do Serviço de Investigação Criminal, tendo o número aumentado para 15 com a detenção de outros dois membros do grupo.

Segundo o porta-voz do dono do país, também chamado de Procurador-Geral da República, a 14ª detenção ocorreu no posto fronteiriço de Santa Clara, na fronteira com a República da Namíbia, e a última em local não foi especificado, mas envolveu um jovem oficial da Força Aérea Nacional angolana.

João Maria de Sousa afirmou que os jovens detidos em flagrante delito estavam reunidos a praticar actos preparatórios que poderiam levar à destituição do Governo legitimamente instituído a partir das eleições de 2012.

O SINSE apresentou como prova dos preparativos do suposto “golpe de Estado”, material de uma palestra que os jovens tinham intenção de realizar no passado dia 20 no bairro Nelito Soares da periferia de Luanda, subordinada ao tema “filosofia ideológica da revolução pacífica versus como derrubar um ditador”.

A ser verdade a tese norte-coreana apresentada pelo MPLA, seria o primeiro golpe de Estado, o que – aliás – seria mais um contributo histórico para a humanidade, que teria lugar com computadores, lapiseiras e bloco de apontamentos.

De facto, tudo isto mostra um desnorte do regime que um dia destes vai começar a prender os mosquitos, acusando-os legitimamente de serem apanhados em flagrante delito.

Este país está doente, o regime esgotou todas as soluções só assim se justifica estas detenções todas, até porque o que se passa em Angola não é política é ditadura. E em ditadura não há bom senso, não há justiça, Só há pouca vergonha e força.

Na verdade, qualquer dia destes quem sonhar e pensar também vai preso.

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