O Banco Nacional de Angola (BNA) pretende negociar pagamentos ao exterior em moeda nacional (kwanza), tentando assim reduzir a pressão sobre o sistema bancário face à actual crise cambial do país.

A informação foi transmitida hoje pelo governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior, ao discursar, em Luanda, na apresentação da 10.ª edição do estudo “Banca em Análise”, desenvolvido pela consultora Deloitte.

“O BNA continua a buscar fontes adicionais de liquidez externa, nomeadamente através de acordos de intercâmbio de moeda, na base dos quais saldos de operações comerciais e até mesmo de operações financeiras, com os nossos parceiros, poderão ser pagos na nossa própria moeda”, disse o governador.

Angola enfrenta uma crise económica e financeira devido à quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional, que por sua vez levou à quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo e à consequente redução da entrada de divisas, necessárias para assegurar as importações de bens alimentares, matéria-prima e máquinas para a indústria.

Esta crise já provocou uma desvalorização de 37% no kwanza, face ao dólar norte-americano, em apenas um ano.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, produção que aumentou 12% no primeiro semestre de 2015, para pouco mais de 1,7 milhões de barris de crude por dia, segundo a concessionária estatal, Sonangol.

“O mais importante é reconhecermos que o nosso país, apesar da queda do preço do petróleo, ainda beneficia do facto que a sua produção futura continua a constituir uma garantia sólida para acedermos às linhas de crédito internacionais para importação de bens e produtos estratégicos e para relançamento da actividade económica em todo o país”, enfatizou José Pedro de Morais Júnior.

As reservas de petróleo em Angola estão avaliadas entre 3,5 mil milhões de barris (categoria de provada) e 10,8 mil milhões de barris (categoria de provável), ainda de acordo com a Sonangol.

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) renovaram mínimos do ano em Julho, descendo para 24.170 milhões de dólares, e já se reduziram 12% desde 2014, tendo em conta dados do BNA.

Na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015, aprovado em Março e que surge face à forte quebra nas receitas com a exportação de petróleo, o executivo angolano já previa uma descida de 28,4% nessas reservas, fixando-se num volume que garanta as necessidades de cinco meses de importações.

“Na eventualidade de a situação de crise perdurar durante todo o ano, a perda de RIL poderá elevar-se a -8.005,39 milhões de dólares, posicionado o ‘stock’ de RIL em 19.277,18 milhões de dólares”, lê-se no documento que sustenta o novo OGE de 2015.

As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo e as reservas angolanas de ouro.

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