Trata-se de um contrato transfronteiriço do sector do turismo, que abrange cinco países, Angola, Zimbabué, Botswuana, Zâmbia e Namíbia e tem um tamanho de 278 mil quilómetros quadrados. Angola detém a segunda maior participação, com 87 mil quilómetros quadrados de espaço territorial, logo após a Zâmbia, que previa 97 mil.

Por António Setas

N a verdade, estamos perante um dos maiores e mais ambiciosos projectos turísticos do mundo, já tem o apoio das Nações Unidas, dispõe desde Agosto do ano passado de um plano de orçamento próprio e poderá disponibilizar, quando estiver pronto, um Visto especial “Kasa” para quem chegue de visita, o que permitirá aos turistas circular livremente nos cinco países ligados ao projecto.

A área em questão integra o também chamado projecto KAZA, acrónimo da língua inglesa para designar a bacia do rio Okavango, que nasce em Angola e não vai desaguar no mar, numa lagoa ou noutro rio qualquer, mas num deserto, pois a foz do rio situa-se no norte do deserto do Kahalari, que já fez parte do território angolano, mas hoje pertence ao Botswana.

O resultado dessa aberração natural é um maravilhoso milagre da Natureza.

Todos os anos, com a chegada da estação das chuvas, este rio despeja 11 quilómetros cúbicos de água no deserto Kalahari, transformando assim essa zona árida em um delta verde, um oásis exuberante capaz de atrair centenas de milhares de animais selvagens.

Nessa altura, uma área gigantesca do deserto ficará inundada, formando um labirinto de canais, lagoas e pântanos, cuja profundidade raramente ultrapassa os 50 centímetros e o milagre acontece, aquela região árida transforma-se em um oásis colossal de 22.000 km2 no norte do Botswana e só retomará a sua genuína forma de deserto mais ou menos três meses depois do termo da estação chuvosa.

De acordo com Ministério da Hotelaria e Turismo do Governo do Regime do Presidente dos Santos, o projecto facilitará integração e a protecção das comunidades, o desenvolvimento sócio-económico e a protecção da biodiversidade dos países membros e, em particular, o crescimento da província do Kuando Kubango. Se avançar, augura-se que transformará esta parte da África austral num dos maiores destinos turísticos do mundo.

Mas há quem não esteja de acordo, por exemplo, os activistas da nação lunda-tchokwe, estimam que o projecto é bonito, mas… «Na prática o que estamos a ver neste ambicioso projecto é a escravatura das populações do Kuando Kubango, a expropriação de terras, é a situação precária da Saúde e a falta gritante de medicamentos e condições hospitalares dignas. Este projecto turístico está bonito, mas parece-nos que a população da nação lunda-tchokwe e as comunidades vizinhas não beneficiarão absolutamente de nada do referido projecto. Os sinais indicam que esta população está fora das prioridades… Senão, vejam bem, onde estão as escolas de Turismo para que a juventude do Kuando Kubango se prepare para o desafio do projecto?», estimam eles.

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