O início dado à elaboração do projecto imobiliário de grande envergadura que é o da “Zona Costeira da Corimba”, de que vamos aqui revelar alguns aspectos, data dos primeiros anos deste século.

Por António Setas

M as a sua apresentação só foi feita em Abril de 2013 por um arquitecto que, segundo a nossa fonte muito próxima do Ministério do Turismo de Angola, se encontrava em missão de serviço por conta da empresa Odebrecht, multinacional brasileira instalada em Angola desde há décadas em harmoniosa conexão com o governo do presidente José Eduardo dos Santos.

Trata-se neste caso, por assim dizer, de um muito ambicioso plano de remodelação exaustiva de toda a costa marítima situada na parte sul de Luanda, que vai desde o Bairro urbano da Camuxiba, relativamente perto do centro da cidade, até ao istmo da península, dita ilha, do Mussulo, lugar conhecido pelo nome de Palmeirinhas, a mais ou menos uns trinta quilómetros para sul.

Diga-se que, perante a pobreza aflitiva e endémica de mais de 20 milhões de angolanos – esta previsão nada tem de insensato, pois o censo da população feito no mês de Maio do ano passado, 2014, apresenta resultados já divulgados em primeira mão pelo próprio presidente Eduardo dos Santos, segundo os quais deve haver em Angola mais ou menos uns 24 milhões de habitantes – portanto, este espectacular plano de urbanização é, antes de mais nada, um braço de honra, vulgo manguito, a uma esmagadora maioria de cidadãos pobres e, sobretudo, aos não-cidadãos pertencentes às minorias étnicas, que sobrevivem no limite mais baixo possível da pobreza existente nas profundezas dos matos de Angola.

Da mesma fonte que temos vindo a citar, registamos as seguintes reflexões: “O país está a transformar-se numa espécie de campo de batalha em que se agitam grandes sociedades multinacionais chinesas, brasileiras, portuguesas e sul-africanas em busca de contratos de intervenção em empreitadas de infra-estruturas, reurbanização e construção civil.

A verdade é que a cidade de Luanda, em grande parte, foi invadida por “musseques” – esses Bairros erigidos sobre terra-batida ou areal -, e os investimentos relacionados com a reurbanização dessas áreas são gigantescos, entre os quais estou a ver os mais importantes, isto é, os do norte de Luanda, situados no Novo Sambizanga, e os do sul, quer dizer, os da Aldassa e, precisamente, os da Zona Costeira da Corimba”.

Para, em seguida, opinar, “dizer que há dezenas de sociedades e empresas chinesas, dos países do Golfo-Pérsico, do Brasil e de Portugal, que participam activamente nesses trabalhos em parceria com o governo do presidente José Eduardo dos Santos é pura e simplesmente constatar que tudo está a ser feito para levar avante este multibilionário projecto”. Assim seja.

Está claro que o Zé-Povinho não agradece, pois tudo isso é em detrimento das verdadeiras exigências dos cidadãos e não-cidadãos angolanos, ambos carecendo de requisitos no fornecimento de água, luz, saúde pública e saneamento básico, et cetera… ensino, transportes, justiça…

“Enfim, pelo momento não sei em que pé dançam esses grandes projectos multibilionários”, rematou a nossa fonte, “mas o que é certo, é que o plano da Zona Costeira da Corimba tem por objectivo renovar inteiramente toda a zona ribeirinha do sul de Luanda, eliminar todos os musseques e transformar a cidade capital em tracção irresistível, assim com uma Dubai-Miami africana”!

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