Faz hoje 13 anos que Jonas Savimbi foi assassinado. Mau grado a vontade, os avisos e as ameaças dos quadrúpedes ruminantes, com ou sem gibas sobre o dorso, que em Angola e Portugal nasceram a saber tudo, a verdade não tem dono.

Por Orlando Castro

O Povo angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo sabem que, apesar dos muitos erros cometidos, Jonas Savimbi foi e é um dos heróis angolanos.

Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de O humilhar… mesmo depois de morto. Trataram-no como um cão raivoso, como um troféu de caça. Eram as ordens de José Eduardo dos Santos.

Até na morte Jonas Savimbi atemorizou José Eduardo dos Santos. Treze anos depois da sua morte continua a causar insónias, alergias e temores a quem governa o país desde 1979 sem nunca ter sido nominalmente eleito.

Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA na sua versão mais ortodoxa, imbuídas do ADN das FAPLA, não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano.

A África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra O situam na senda dos arautos da História Africana como N’Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

Jonas Malheiro Savimbi tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História. Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua vida.

Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, Jonas Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida.A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.

Fisicamente Jonas Savimbi morreu há 13 anos. Fisicamente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.

Jonas Savimbi, continuará – queira ou não o MPLA e o seu líder – a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.

“Angola não se define – sentem-se”. Foi isto que em 1975 me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi. É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu.

E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi continuará vivo. Vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência… vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.

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