As roupas antigas que estejam a mais em casa de cada um podem ser aproveitadas por outras famílias e “transformadas” em dinheiro, nas lojas da associação Humana, que depois o direcciona para projectos de educação, agricultura ou saúde em África.

C om mais de 1.700 contentores distribuídos pelo território português, principalmente no Algarve e na região de Lisboa, a associação não-governamental para o desenvolvimento tem 63 colaboradores e recolhe cerca de cinco mil toneladas de roupa e sapatos usados por ano.

Após selecção, mais de metade do total recolhido é destinado a África, outra parte é distribuída a famílias carenciadas no país, e algumas peças vão para as lojas Humana, onde são vendidas a preços baixos.

Alguma roupa recolhida pode ser vendida a um cliente externo, de países como Espanha ou Tunísia, “dependendo do ‘stock’ existente e daquilo que pretendem, e 8% do que é recolhido não tem qualquer aproveitamento e destina-se a reciclagem”, relatou à agência Lusa a gestora da recolha, Cristina Marques.

No ano passado, a associação em Portugal enviou 495 mil euros para a Guiné-Bissau e para Moçambique e, este ano, o objectivo era “dar mais ainda e chegar, pelo menos, aos 550 mil euros”, avançou.

Em África, a associação realiza programas de cooperação para aumentar os níveis de formação e melhorar a agricultura e a saúde, com parceiros locais.

Na Guiné-Bissau, “estamos mais virados para a educação, para as escolas”, formando docentes, “meninas que não têm hipótese alguma de ter dinheiro para conseguirem ser professoras”, e para a agricultura, “para que as pessoas tenham uma vida diferente, porque estavam habituadas só ao milho e ao arroz e já conseguem ter um clube de agricultores”, com um campo modelo e várias colheitas num ano, explicou Cristina Marques.

Nas lojas, que “vendem baratíssimo”, as campanhas colocam peças com valores que vão descendo até um euro cada, de modo a que famílias a passar por dificuldades económicas possam ter acesso.

“Se pensarmos que cada pessoa, em geral, na Europa, deita fora entre sete a 10 quilos de roupa por ano, isso quer dizer muita coisa”, salienta Cristina Marques.

A gestora de recolha da Humana defende que a instalação dos contentores deveria ser gratuita, mas isso não acontece em todas as autarquias onde estão presentes.

Para a responsável, “se as roupas velhas fossem depositadas no lixo, o município teria de pagar o seu tratamento e a associação está a evitar este custo” e exemplifica: “Num município com 25 mil habitantes, se toda a gente desse sete a 10 quilos de roupa, pouparia 16 mil euros por ano”.

Com um total de 300 contentores, o Algarve está completamente coberto, e a chamada região de Lisboa, que vai da área das Caldas da Rainha até Évora, tem cerca de 1.000, perto do nível adequado. Por isso, em 2015, a atenção está centrada no norte.

“Este ano, chegaremos aos 2.500 contentores, com a aposta no norte do país, e a meta é atingir 3.500 a 4.000 contentores – e teríamos Portugal coberto”, resumiu Cristina Marques.

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