Nova Iorque vai acolher durante quatro noites de Setembro a primeira edição do Festival Lusófono, que leva até a cidade norte-americana artistas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.

O festival é promovido pelo World Music Institute, uma organização sem fins lucrativos que se dedica à promoção da música e dança menos comerciais de todo o mundo e que celebra este ano o seu 30º aniversário.

“Ter um evento com artistas de países lusófonos permite-nos ter um evento em que muitas partes diferentes do mundo se reúnem. Uma missão que temos é apresentar artistas menos conhecidos a uma audiência maior e existem tantos artistas fantásticos nestas partes do mundo”, afirma o director artístico da organização, Par Neiburger.

O festival começa no dia 15 de Setembro com o grupo brasileiro “Os Mutantes”, que são considerados os pioneiros da música “avant-garde” do Brasil e darão um espectáculo no Le Poisson Rouge.

“São uma das minhas bandas preferidas de sempre, e foram tremendamente influentes na música moderna, particularmente na América. Esta é a única data que terão nos EUA nesta tour”, explicou Neiburger.

No dia seguinte, atua a fadista lisboeta Lula Pena, que sobe ao palco no espaço Drom NYC (85 Avenue A).

“Uma verdadeiramente extraordinária cantora de fado, a elusiva e esotérica Lula Pena é uma das maiores cantoras nascidas em Portugal. Os seus trabalhos convocam influências internacionais para dar novas texturas ao antigo género musical português”, escreve a organização do festival.

O director artístico do evento diz que a intenção foi sempre trazer um fadista de Portugal, mas que “Lula Pena é particularmente interessante porque incorpora a morna de Cabo Verde e a bossa nova do Brasil, o que mostra as culturas lusófonas a polinizarem-se umas as outras.”

“É uma artista conhecida por ser reservada e por isso não é muito conhecida entre os americanos, mas qualquer um que oiça a sua música apaixona-se de imediato”, acrescenta Neiburger.

No dia 17, actua no Town Hall a cabo-verdiana Fantcha, protegida de Cesária Évora, e conhecida pela forma como mistura as coladeras a outras influências lusófonas.

No mesmo espaço e no mesmo dia, actua mais tarde a brasileira Ana Carolina, escolhida para mostrar o lado contemporâneo da música brasileira.

“Achámos que ter a justaposição de um grupo brasileiro antigo, clássico, muito avant-garde, com uma cantora moderna que é muito mais ‘pop’ mostrava bem a grande variedade de música do Brasil”, disse o responsável.

O festival termina a 18 de Setembro, no Drom NYC, com os ritmos africanos dos angolanos Ricardo Lemvo & Makina Loca.

Na mesma noite, actua a moçambicana Isabel Novella, com o seu estilo original marrabenta-bossa.

Neiburger diz que Ricardo Lemvo “é um artista incrível, que incorpora muitas influências na sua música, como a salsa” e que Novella “foi escolhida por ser uma artista em ascensão que representa o novo movimento afropolitan que está a acontecer na música africana.”

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