O embaixador de Angola em Portugal, José Marcos Barrica, apelou, em Lisboa, à unidade entre os angolanos para fazer face aos desafios que o país vai enfrentar com a queda do preço do petróleo no mercado internacional.

Por Orlando Castro

U nidade por causa da reconciliação nacional ainda por fazer? Não. Unidade porque ainda há milhões de angolanos na miséria? Não. Unidade porque urge combater a corrupção? Não. Unidade porque é imperioso que o país seja uma democracia e um Estado de Direito? Não. Unidade porque é preciso defender a liberdade e os direitos humanos? Não. Unidade sim, apenas porque o preço do petróleo está em queda.

O embaixador diz que apesar do “terrível revês” que sofreu o principal recurso angolano (petróleo) no mercado externo, “o desafio será vencido e a vitória será certa”. Ora aí está. A luta, não em prol dos angolanos mas dos que se julgam donos deles, continua e – diz Marcos Barrica – a vitória é certa.

“Não é a primeira vez que temos crise. Já as tivemos em maiores proporções, no passado, e foram vencidas com mestria, porque temos rumo, norte e liderança forte”, disse o embaixador pensando, embevecido, no Presidente da República, Presidente do MPLA e chefe do Governo (entre muitas outras coisas), José Eduardo dos Santos.
Quanto ao balanço da Embaixada de Angola no último ano, considerou ter havido um resultado positivo no cumprimento das metas estabelecidas, mas admitiu ser importante se fazer ainda mais.

“Que cada um ao seu nível e no seu posto de trabalho faça o seu possível, enquanto servidor público”, visando o cumprimento da missão clássica de reforçar as relações com Portugal, “tão intensas, diversificadas e históricas”, adiantou.

Sobre o estado actual das relações com Portugal, disse que a “nuvem negra está dissipada” depois da visita do ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, a Angola, onde se encontrou com o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e com o ministro das Relações Exteriores, George Chikoti.

Dessa visita, adiantou Marcos Barrica, “deu-se um passo que era necessário para que a perspectiva da cimeira Angola/Portugal possa ser realizada como programado”.

“Não foi dada uma data, mas a cimeira vai formular a excelência das relações que devem testar as relações entre os dois países”, acrescentou.

De acordo ainda com o diplomata angolano, “enquanto uns pretendem criar e se divertem com clivagens, o que nos interessa é que as relações institucionais e empresariais continuem de forma afincada e tenham norte e objectivos”.

Marcos Barrica adiantou que em 2014 registou-se um incremento das relações com as instituições académicas, tendo se realizado visitas em quase todas as Universidades, porque se quer colocar o homem e a sua formação no centro das relações entre os dois países, “contrariando aqueles que pensam o contrário”.

Quando, em Novembro passado, participou no programa “Angola Fala Só”, da VOA, um ouvinte colocou ao embaixador a questão da liberdade política em Angola, afirmando que as manifestações são reprimidas e que há ainda “matanças” de dirigentes políticos da oposição em Angola”.

Marcos Barrica disse que pode haver casos “isolados” que “estão a ser investigados”, mencionando os assassinatos dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

“Está fora de questão a perseguição política pelo MPLA”, reiterou o embaixador que admitiu poder haver “casos de pessoas que fazem uso de forças políticas para agirem fora da lei”.

Está fora de questão. Está mesmo. Aliás, como sabem todos aqueles que leram a cartilha do MPLA, este partido nunca perseguiu ninguém. Está no ADN do partido de Marcos Barrica não perseguir. Basta, aliás, ver o que aconteceu no 27 de Maio de 1977 em que milhares de angolanos do MPLA protagonizaram um suicídio colectivo, facto que as forças do mal (para citar uma expressão cara a Marcos Barrica) usaram para dizer que a culpa foi do MPLA.

Até mesmo durante a guerra civil, as forças do MPLA (as FAPLA) estavam dotadas de um sofisticado e inteligente armamento que apenas matava os inimigos, desviando-se sempre que havia cidadãos inocentes no meio. Isto, registe-se, em oposição às FALA cujo armamento matava a torto e a direito.

José Marcos Barrica classificou de “extravagantes e falsas” as acusações de que a Embaixada angolana em Lisboa só ajuda o regresso a Angola de cidadãos que tenham cartão do partido no poder.

É falso. Os funcionários, que não a Embaixada, confundem o Bilhete de Identidade com o cartão do MPLA. Mas isso é apenas um problema óptico e não de segregação. Não é senhor embaixador?

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