Uma delegação do MPLA está em Pequim numa “visita de trabalho” destinada, dizem os homens do regime, a “aprofundar a troca de experiências em gestão de Estado” com o Partido Comunista Chinês (PCC).

A delegação, que chegou na terça-feira a Pequim, é chefiada pelo vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida, e além da capital chinesa, visitará Hangzhou, onde terá contactos com a multinacional de comércio electrónico Alibaba, e a seguir Xangai, na costa leste da China, indica o comunicado um comunicado do partido que governa Angola desde 1975.

Ainda em Pequim, a delegação angolana vai encontrar-se com um alto dirigente do PCC e com responsáveis da CITIC, um grande consórcio estatal chinês muito activo em Angola.

O programa oficial começa na quinta-feira, com uma reunião no Departamento internacional do PCC.

Roberto de Almeida viaja acompanhado por Jorge Dombolo (secretário para a Organização e Mobilização) Mário António (Informação), Ferreira Pinto (coordenador da Comissão de Disciplina e Auditoria), Meireles Patrocínio (director do Gabinete do vice-presidente) e Pedro Chaves (director do Departamento de Relações Internacionais).

“Fortalecer as relações de amizade e de cooperação entre o MPLA e o Partido Comunista da China e aprofundar a troca de experiências em gestão de Estado constam dos objectivos da permanência da comitiva no país asiático”, realça o comunicado.

O MPLA vai, é claro, passar ao lado do facto de, por exemplo, 16 oficiais superiores das Forças Armadas chinesas terem sido “colocados sob investigação” em 2014 por suspeita de corrupção,

Os três últimos processos conhecidos, instaurados em Novembro e Dezembro passado, envolvem nomeadamente o general Liu Zheng, vice-director do Departamento-geral de Logística do Exército Popular de Libertação (o nome oficial das Forças Armadas da China, constituída por cerca de 2,3 milhões de efectivos).

Liu Zheng substituiu em Dezembro de 2012 o general Gu Junshan, afastado por ter alegadamente recebido mais de 600 milhões de yuan (cerca de 83 milhões de euros) em subornos.

Entre os 16 oficiais superiores investigados em 2014 sobressai um ex-vice-presidente da Comissão Militar Central, general Xu Caihuo, a mais alta patente militar presa chinesa por corrupção em mais de três décadas.

A divulgação da lista dos referidos oficiais ocorre dias depois do presidente chinês, Xi Jinping, ter prometido “manter bem afiada a espada da anticorrupção”

Xi Jinping, que é também secretário-geral do Partido Comunista Chinês e presidente da Comissão Militar Central, qualificou o combate à corrupção como “uma questão de vida ou de morte para o Partido Comunista e a nação”.

Dezenas de quadros dirigentes com a categoria de vice-ministro ou superior, entre os quais o ex-chefe da Segurança do país Zhou Yongkang, foram presos desde que Xi Jinping assumiu a chefia do PCC, em Novembro de 2012.

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