A reacção da UNITA confirma que o MPLA procura bodes expiatórios para arrasar também, mas não só, oposição. O partido de Isaías Samakuva viu-se na necessidade de negar qualquer envolvimento no confronto entre seguidores de uma seita religiosa ilegal (“Kalupeteca”) e a polícia nacional e que terminou com a morte, no Huambo, de nove agentes.

A posição foi assumida pela direcção do maior partido da oposição, em comunicado, depois de divulgadas imagens de material de propaganda da UNITA no acampamento da igreja “Sétimo Dia a Luz do Mundo” e face a acusações de altos dirigentes políticos do MPLA sobre o suposto envolvimento.

No mesmo comunicado, a direcção de Samakuva manifesta “revolta pelas tentativas de envolvimento do nome da UNITA numa situação que nada tem a ver com ela”, considerando “irresponsáveis, descontextualizadas e imbuídas de má-fé” declarações nesse sentido de elementos do MPLA, no poder desde 1975, sobre os acontecimentos.

O incidente aconteceu durante a tarde de quinta-feira, em Serra Sumé, a 25 quilómetros da Caála, tendo os agentes, na versão policial, sido surpreendidos por elementos da referida seita, conhecida por queimar livros, travar a escolarização e vacinação dos fiéis, concentrando-os em acampamentos sem condições e reunindo centenas de pessoas.

Os nove agentes mortos integravam um forte grupo policial que tentava então capturar o líder daquela seita, também após confrontos na província de Benguela que terminaram na morte de outro agente da Polícia Nacional.

No local da concentração desta seita, em São Pedro Sumé, estariam mais de 2.000 fiéis, segundo relatos locais, que apontam igualmente para mortos entre os seguidores, na sequência da intervenção da troca de tiros, informação não confirmada pela polícia.

No sábado, e embora sem concretizar a acusação, o MPLA afirmou que “estes actos bárbaros” foram concretizados “com armas de fogo” que “ilegalmente” estavam na posse de pessoas que “pretendem alterar a ordem pública em Angola”.

“Os dados até agora recolhidos permitem facilmente concluir que por detrás destes factos estão outras forças, que pretendem criar condições para um retorno a situações de perturbação generalizada, que não poderão ser toleradas”, lê-se num comunicado do Bureau Político do Comité Central do MPLA.

Criticando o “repugnante acto” ocorrido no Huambo, a direcção do partido do ‘Galo Negro’ acusa o MPLA de “por tudo e por nada procurar culpar a UNITA”.

“Qualquer acontecimento negativo é culpa da UNITA. O que pretende afinal o MPLA? Para onde o MPLA pretende conduzir o País? Quem foi que promoveu, promove e consente o surgimento dos milhares de seitas que pululam pelo país”, questiona o partido.

O líder da seita, Julino Kalupeteca, de 52 anos, já foi detido pela Polícia Nacional.

Além do Huambo e do Bié, esta seita tem actividades conhecidas – ilegais por não estar reconhecida – nas províncias do Cuanza Sul, Cuando Cubango e Benguela, multiplicando-se nos últimos dias os confrontos com as autoridades e com a população.

Partilhe este Artigo