A agência de notação financeira Moody’s reviu em baixa a previsão de crescimento de Angola para 4,1% este ano e para 4,7% em 2016, antecipando um défice de 03% e um aumento do peso da dívida.

D e acordo com uma análise da economia de Angola publicada hoje, a Moody’s diz que “ajustou a previsão de crescimento económico para Angola em baixa, para 4,1% em 2015 e 4,7% em 2016”, acrescentando que “o défice deverá ficar à volta dos 3% este ano”. A Moody’s previa em Janeiro deste ano um crescimento de 5,5% para 2015.

No documento, que não é uma acção de rating, constituindo apenas uma informação de análise para o mercado, a Moody’s mostra-se também preocupada com o peso que a dívida pública de Angola, que em 2014 estava nos 32% do Produto Interno Bruto, pode ter nas finanças públicas, principalmente se os empréstimos e as emissões de dívida continuarem para compensar a redução do preço do petróleo, que diminuiu fortemente as receitas do país.

“A resposta orçamental do Governo ao choque dos preços do petróleo tem sido agressiva, mas o peso da dívida está em risco de ter um aumento substancial nos próximos dois anos se o Governo encontrar dificuldades em manter a disciplina orçamental”, comentou Rita Babihuga, a analista da Moody’s que segue de perto a economia angolana.

Em Janeiro, a analista Lucie Villa dizia que “o impacto do choque do preço do petróleo vai ser uma relação entre a extensão e a duração da queda dos preços e da produção, bem como dos efeitos dinâmicos deste choque em toda a economia; assim, parece improvável que a nossa previsão original de crescimento de 5,5% em 2015 seja atingida este ano”.

“Apesar de a métrica da dívida comparar favoravelmente com os pares analisados, previmos que a dívida de Angola vá aumentar para 42% do PIB este ano, aumentando face à estimativa de 32% em 2014”, acrescentou Rita Babihuga. Entre os outros riscos identificados pela agência de notação financeira estão a “capacidade institucional muito limitada, o grau de incerteza à volta da sucessão política e a continuidade da política económica dadas as eleições presidenciais marcadas para 2017, o elevado nível de crédito malparado no sistema bancário e uma taxa alta, embora em queda, de dolarização da economia”.

Numa nota mais positiva, a Moody’s assinala que “o aumento da produção de petróleo e um orçamento conservador permitiram ao país gerar uma tendência histórica de excedentes orçamentais e lançar-se num aumento substancial de despesa pública para diversificar a economia para além da extracção de recursos naturais”.

Outra nota positiva assinalada no relatório de 31 páginas tem a ver com as almofadas financeiras que Angola acumulou, com destaque para os 5000 milhões de dólares disponíveis no Fundo Soberano (gerido pelo filho do Presidente da Repúbica), que “podem ser usadas para amortecer o impacto dos choques na economia”.

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