Angola pretende produzir, dentro de dois anos, 63% das necessidades nacionais de milho, cultura que envolvia no ano passado mais de 1,8 milhões de famílias com explorações em várias províncias.

O s números constam do Plano de Apoio à Produção de Milho em Angola, orçado em 100 mil milhões de kwanzas (725 milhões de euros), aprovado por decreto do Presidente da República, José Eduardo do Santos, prevendo medidas para elevar a produção nacional a 4,899 milhões de toneladas até 2017.

Esta produção cifrou-se no ano passado em 1,326 milhões de toneladas oriundas de Explorações Agrícolas Empresariais (EAE) e mais 359,9 mil toneladas de Explorações Agrícolas Familiares (EAF), de acordo com o mesmo documento, mas representando, no total, apenas 40% das necessidades nacionais (4,182 milhões de toneladas) de 2014.

Ao abrigo deste programa estão previstas medidas como apoio com meios de tracção animal ou mecanização para 50.000 EAF, numa área total de cultivo de 50.000 hectares, ou a aplicação trabalhos correctivos à produção em 45.000 hectares, beneficiando até 90.000 famílias.

Também avançará, entre 2015 e 2017, a desmatação de 25.500 hectares de área para produção familiar, entre outras medidas que visam melhorar a produtividade igualmente nível das EAF.

O programa, que entrou em vigor a 22 de Junho e cujos detalhes foram agora conhecidos, estipula que 70,4 mil milhões de kwanzas serão comparticipados pelo Estado, sendo a restante fatia oriunda de crédito e que já este ano deverá permitir elevar a produção nacional a 48% das necessidades, reduzindo as importações, outro dos objectivos.

Elege como principais desafios a promoção e facilitação do acesso ao financiamento de curto e médio prazo, o apoio ao estabelecimento de um seguro agrícola e a redução dos custos dos principais factores de produção, como fertilizantes e combustíveis (em valores ainda a definir), e através do apoio directo do Estado e crédito.

O documento estima que em 2017 as necessidades de Angola em termos de milho ascendam a 5,5 milhões de toneladas, para consumo humano e ração animal.

Só cinco províncias – Cuanza Sul, Benguela, Huíla, Huambo e Bié – abrangidas por este programa representam 78% das mais de 1,8 famílias angolanas que em 2014 se dedicavam à produção, artesanal, de milho em Angola.

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