Três estudantes angolanos estão a desenvolver um dispositivo electrónico móvel para recolher, monitorizar e interpretar vários indicadores do corpo humano, permitindo levar cuidados de saúde em formato virtual às populações mais isoladas e carenciadas do país.

O Kit Diagnóstico Médico Móvel (KDMM) está a ser ultimado desde Novembro por alunos do curso de Engenharia Informática da Universidade Metodista, em Luanda, e o protótipo já venceu a final nacional do concurso internacional de tecnologia “Imagine Cup Angola 2015”, da multinacional Microsoft.

“Vai permitir consultas virtuais, à distância, com o médico a analisar os dados dos sensores, recolhidos pelo equipamento e que ficam armazenados numa “cloud’. Posteriormente, essa análise será feita pelo próprio kit, despistando na hora alguns problemas básicos do paciente, como a malária ou hipertensão”, explicou à Lusa Adilson Mauro, que lidera este grupo de estudantes.

O projecto, sob orientação de um docente daquela universidade, recorre a um equipamento com dez sensores, de tensão arterial, temperatura do corpo humano ou batimentos cardíacos, entre outros. A informação recolhida é tratada por um microcomputador de baixo de custo, sendo depois enviada via internet para um servidor, para poder ser analisada por um médico.

Paralelamente existe ainda um aplicativo, desenvolvido no âmbito deste projecto, também com versão para telemóveis inteligentes, para registar o paciente e complementar o diagnóstico.

“Vai ajudar as zonas mais carenciadas e isoladas, onde não há hospitais e onde os enfermeiros vão ao terreno uma vez por semana. Conseguem assim fazer uma leitura e enviar para o especialista, que pode estar em Luanda ou em Lisboa, para uma primeiro diagnóstico”, acrescentou Adilson Mauro.

A extensão do território angolano, a falta de infra-estruturas de apoio, de estradas a hospitais, mas também de profissionais em número suficiente, dificultam o acesso da população aos cuidados de saúde.

Contudo, interligando com tecnologias de voz e vídeo sobre a internet, como o Skype, estes alunos angolanos dizem que será possível ao paciente, depois enviados os dados recolhidos e tratados pelo kit, realizar uma consulta à distância com o médico. O mesmo poderá acontecer, na idealização deste projecto, com a instalação dos equipamentos nas ambulâncias.

“Os próprios utilizadores podem monitorizar os seus níveis e enviam para a base de dados para o médico ver se está tudo bem ou não. É também uma espécie de clínica virtual”, assumem os estudantes.

Apesar de ainda não terem uma estimativa final de custos para produção em série, dada a fase final de desenvolvimento e implementação, estes alunos pretendem levar o KDMM ao Ministério da Saúde angolano, para o tentar distribuir pelas zonas mais isoladas do país.

Além de disputarem em Julho, nos Estados Unidos da América, o “Imagine Cup World 2015” – final mundial do concurso de inovação da Microsoft -, o passo seguinte é a apresentação do projecto directamente à Fundação de Bill Gates, na esperança de obter apoio financeiro que permita passar do protótipo à produção em massa do KDMM.

“Sentimos que é um projecto que pode fazer toda a diferença. Não só em Angola como em todo o continente africano e por isso estamos apostados em levar isto até à população”, rematou Adilson Mauro.

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