A agência de notação financeira Fitch considerou hoje que Angola e a Venezuela são os dois países exportadores de petróleo que serão mais afectados se o preço do petróleo se mantiver à volta dos 50 dólares por barril.

É mais uma medalha de bons serviços, de racionalidade económica e de antecipação estrutural, para o regime que governa Angola desde 1975.

Num relatório especial sobre este tema, os analistas da Fitch, uma das três maiores agências de ‘rating’ do mundo, escrevem que “as grandes diferenças na diversificação das exportações e as posições líquidas de activos estrangeiros ajudam a explicar a razão por que alguns produtores de petróleo têm maiores probabilidades do que outros de conseguir aguentar uma pressão prolongada nos preços”.

Neste contexto, “o impacto nas receitas de um cenário prolongado de petróleo a 50 dólares por barril depende da diversificação da base de exportações de cada país”, escrevem os analistas, apontando que “enquanto a Noruega tem a melhor posição, Venezuela e Angola têm a mais fraca prestação” num gráfico que descreve esta situação.

O cenário desenhado pela Fitch é mais severo que as projecções reais da agência de ‘rating’, que antevê que o preço do petróleo fique nos 65 dólares por barril este ano e suba ligeiramente para 75 dólares no próximo ano, ainda assim bem acima das previsões apontadas no Orçamento rectificativo de Angola – 41 dólares por barril.

A avaliação da qualidade de crédito soberano inclui a análise da vulnerabilidade às variações de preço, lembra a Fitch, que nota que dois países confortáveis com os preços baixos são a Noruega e Abu Dhabi, que têm as duas melhores notas na escala da Fitch: AAA e AA, ao passo que Venezuela e Angola estão abaixo do nível de investimento, conhecido como ‘lixo’.

As medidas políticas podem mitigar os impactos, diz a Fitch, concluindo que “medidas para diversificar a economia, como cortes na despesa, particularmente reformando os subsídios, e favorecimento do clima de investimento podem fortalecer o perfil de crédito num ambiente de prolongada queda dos preços”.

Partilhe este Artigo