Kalupeteka não fez nada de novo. Na semana passada aludimos à formação de um novo Estado, a Liberlândia, cuja ideologia de raiz se baseia no mesmo princípio de fuga da sociedade tal como ela é hoje, em vias de apodrecimento moral, ético e cívico.

N um espaço territorial de sete quilómetros quadrados, situado na margem esquerda do rio Danúbio, terra de ninguém entre a Sérvia e a Croácia, o eurocéptico anarquista checo Vít Jedlicka, de 31 anos, estabeleceu uma nova micro-nação libertária. Mais de 260 mil pessoas já se inscreveram para chamar casa ao território.

«A Liberlândia nasceu este ano – a 13 de Abril – data do aniversário de nascimento do pai fundador e terceiro presidente dos EUA, Thomas Jefferson (1743-1826), que Jedlicka considera como exemplo de um “cidadão modelo” da Liberlândia. Nesse dia, foi erguida no território a bandeira oficial: “O amarelo representa a liberdade, o azul o Danúbio e o preto a resistência contra o sistema. A árvore é abundância, o pássaro a liberdade e o sol a energia”.»

Muito antes disso, porém, já tinha nascido outra comunidade formada por gente que desejava fugir e viver à parte.

Sabem aonde? Em Cabo Verde, leram bem, no arquipélago de Cabo Verde!

Essa comunidade surgiu em 1940 com a substituição dos padres locais por outros enviados de Portugal. A vinda destes padres propunha uma renovação da Igreja em Cabo Verde. Esta alteração significou a mudança dos costumes referentes às missas e outras manifestações católicas. De facto, o catolicismo em Cabo Verde foi implantado com os padres franciscanos em 1750.

Eles tinham o costume de circular pelas ilhas e arranjar família e filhos no local onde estivessem, eram muito poderosos e respeitados”, praticamente todos eles se tornaram polígamos e baseavam o seu apostolado no Antigo Testamento.

Quando essa delegação portuguesa chegou a Cabo Verde em 1940 para analisar o estado do catolicismo em Cabo Verde, a Igreja enviou novos padres que pregavam os conceitos do Novo Testamento da Bíblia e as pessoas que não aceitaram essa mudança. Foram perseguidas e as suas bíblias foram queimadas.

Assim apareceram nas ilhas os chamadas “Rabelados”. Foram quase dizimados mas não desapareceram, como provavelmente não desaparecerão nunca os “Kalupetekas” e os da Liberlândia.

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