É, segundo o “Expresso”, a resposta da empresária à Oferta Pública de Aquisição que o CaixaBank lançou sobre o BPI. E está longe de ser um sim.

E screve o “Expresso” que a segunda maior accionista do BPI, através da empresa Santoro, vai propor que se iniciem conversações entre o BPI e o BCP com vista a uma fusão, adiantando que estará para breve a comunicação da intenção de avançar com a análise da operação.

O objectivo de Isabel dos Santos será, de acordo com o jornal, o de travar a OPA em curso com uma proposta que seja mais atractiva para os accionistas. Fontes próximas do processo garantem ao “Expresso” que nos últimos dias têm ocorrido conversas entre a empresária e a alguns accionistas do BCP, nomeadamente a Sonangol, para que a fusão dos dois bancos possa começar a ser discutida.

Recorde-se que o BCP, que no passado chegou a lançar uma OPA sobre o BPI a 7,5 euros por acção e que não teve sucesso, tem como maior accionista exactamente a Sonangol.

O espanhol CaixaBank, principal accionista do BPI, oferece 1,329 euros por cada acção do BPI, o correspondente à média da cotação dos últimos seis meses. Para a oferta ter sucesso, os espanhóis colocam como condições a desblindagem dos estatutos do banco, que actualmente limita a 20% os direitos de voto, e também passar a deter mais de 50% do capital do BPI.

O pedido de registo da OPA foi efectuado no passado dia 25 de Fevereiro e a administração do BPI tem oito dias úteis para se pronunciar sobre a proposta. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários ainda não autorizou o registo da operação.

A avançar a fusão BPI/BCP, daria origem ao maior banco privado em Portugal, com uma quota de cerca de 30% do mercado português e uma capitalização bolsista de 6,5 mil milhões de euros. Mas não só. Ambos os grupos detêm fortes presenças noutros mercados (Angola, Polónia, entre outros). Combinados, têm um produto bancário de 3.150 milhões de euros e uma margem financeira (diferença entre juros pagos em depósitos e juros cobrados em créditos) de 1.631 milhões de euros.

Outro ponto forte são os accionistas de peso que poderiam passar a estar juntos na mesma instituição financeira, com especial destaque para os angolanos Santoro e Sonangol, mas também o espanhol La Caixa e o grupo Allianz.

Mas ambos têm questões para resolver. O BPI continua a ter de encontrar uma solução para o BFA em Angola, devido às novas regras que obrigam à consolidação da dívida soberana de Angola. Tanto o BCP como o BPI tiveram prejuízos em 2014 (218 milhões de euros e 162 milhões de euros, respectivamente).

O BCP tem ainda de devolver ao Estado 750 milhões de euros relativo à linha de ajuda estatal para a banca. E terá de o fazer até ao início de 2016. E o banco liderado actualmente por Fernando Ulrich precisa de melhorar a rentabilidade no mercado doméstico.

A ser viável esta fusão e a aquisição do Novo Banco (o BPI já assumiu estar interessado), seria criado um superbanco.

Fonte: Expresso

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