A empresária Isabel dos Santos, através da Santoro, já enviou uma carta aos presidentes das comissões executivas do BPI, BCP e CaixaBank, propondo a fusão entre os dois bancos portugueses.

A carta, que é assinada por Mário Leite Silva, administrador da Santoro e vogal do Conselho de Administração do BPI, propõe – de acordo com a Lusa – a criação do maior banco privado português (BPI+BCP) com interesses fortes em Angola, Moçambique e na Polónia, sendo intenção, segundo a Santoro, a criação de um núcleo accionista forte centrado em Portugal.

Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI, faz assim uma proposta que choca com os interesses da Oferta Pública de Aquisição (OPA) ao BPI por parte dos espanhóis do CaixaBank, que pretendem uma integração ibérica dos dois bancos, embora o BPI continue com a sua identidade própria, conforme disse o presidente do CaixaBank, Isidre Fainé.

A mesma fonte refere que se a fusão entre BPI e BCP se concretizar, a angolana Sonangol passaria a deter 13,52% da nova instituição financeira, os espanhóis do CaixaBank ficariam com 13,44% (têm 44,1% do BPI), Isabel dos Santos com 5,76% e a Interoceânico com 1,8%.

Em Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) informou ontem ter pedido esclarecimentos a Isabel dos Santos sobre uma eventual fusão que a empresária defenderá entre o BPI e o BCP, mas, até ao momento ainda não se conhece qualquer iniciativa pública.

A CMVM, disse fonte oficial à agência Lusa, “pediu esclarecimento conforme previsto nos procedimentos de supervisão de informação de emitentes”.

Ainda na segunda-feira, antes de ter sido enviada a carta, o presidente do CaixaBank, maior accionista do BPI, desvalorizou a notícia de que Isabel dos Santos pretenderia “travar” a OPA que o banco catalão pretende lançar sobre o resto do capital do banco português, afirmando que “o jogo ainda agora começou”.

No dia 17 de Fevereiro o Caixabank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9% do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20%.

Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada acção do BPI para obter pelo menos mais 5,9% do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75%) na assembleia-geral de accionistas do BPI a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o Caixabank ainda votará com 20% dos votos.

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