Os jornais F8 e O Crime são os únicos órgãos de comunicação social independentes, afirmou em Luanda, a Secretária-Geral do Sindicato dos Jornalistas Angolano (SJA), Luísa Rogério.

A ainda Secretária-Geral do Sindicato é uma das mais refinadas jornalistas que o país pariu e fez tal comentário, numa curta conferência de imprensa, realizada no auditório da União dos Escritores de Angola (UEA), no 27.07.15, onde revelou a recusa de vários jornalistas rejeitarem cobrir as actividades realizadas pelo Sindicato, por orientações dos directores, que a acusam de fazer pronunciamentos contra o poder político vigente na República de Angola.

Num breve balanço sobre o estado da pena jornalística da tribo indígena, não poderia ser mais incisiva ao afirmar, que “a minha opinião é a menos boa, infelizmente, para não dizer a pior. No passado, a imprensa era mais independente”, disse, adiantando ”estar a maioria dos meios de comunicação social do país, ligados ao poder político, e que apenas o semanário “O Crime” e o bissemanário “Folha 8” são independentes” são excepção.

Luísa Rogério fez tais reflexões numa altura em que com muita tristeza, lamenta o facto de encontrar dificuldades para a realização do Congresso aprazado para 26.09.15, que tem como objectivo principal a eleição da nova direcção.

No cofre do sindicato, discriminado pelo regime, pela sua independência, repousa apenas KWZ: 200. 000,00 (Duzentos mil Kwanzas), quando os cálculos apontam um valor mínimo de 10 milhões de Kwanzas. Se avançar um candidato da situação o dinheiro aparecerá, pelo que resta a mobilização de todos, para que este não caia no vazio, como outras associações.

“Nós, inicialmente, para a realização do Congresso, havíamos estabelecido um tecto mínimo de 100 mil dólares, depois baixamos para 50 mil que incluía também as eleições de delegados das assembleias provinciais”, explicou Luísa Rogério.

“Mas desde o dia 2 de Abril até aqui, só arrecadamos quase 500 mil Kwanzas, que serviu para pagar a renda da sede do Sindicato e os salários que tínhamos em atraso com os trabalhadores”, lamentou.

E, face às inúmeras dificuldades financeiras, a Direcção do SJA nomeou o jornalista da Emissora Católica de Angola (Rádio Ecclésia), Siona Júnior, como chefe da comissão dinamizadora do Sindicato, cujo objectivo é solicitar e recolher fundos para realização do tão esperado conclave.

Partilhe este Artigo