Os serviços de veterinária da província do Huambo estão preocupados com a falta de meios para a campanha de vacinação animal ao domicílio, no âmbito da luta contra a raiva, doença que infectou até Março 57 pessoas.

S egundo o director do serviço de veterinária do Huambo, Jorge Almeida, a vacinação porta a porta está ameaçada por falta de condições humanas, materiais e financeiras.

Jorge Almeida informou hoje que esta é a melhor forma de conter a propagação da raiva, por isso uma proposta do projecto foi remetida ao governo da província para sua análise.

O responsável adiantou ainda caso não seja possível a campanha nesses moldes, a solução será a criação de postos de vacinação em bairros, sobretudo onde há o registo de mortes pela doença.

“Tendo em conta o aumento de casos de raiva, pretendíamos implementar uma campanha de vacinação de casa em casa, mas infelizmente estamos sem condições para o fazer”, lamentou Jorge Almeida, citado hoje pela agência de notícias angolana, Angop.

Para fazer face ao elevado número de ataques animais, principalmente de cães, as autoridades sanitárias estão a realizar desde Janeiro uma campanha de vacinação antirrábica, tendo já vacinado 4.771 animais.

Em Março passado, a província do Huambo registou 453 casos de mordeduras por cães, 57 dos quais com fortes suspeitas de terem sido contaminados pela raiva.

Jorge Almeida frisou a sua preocupação com a situação, já que os dados de Fevereiro e os de Março apontam para um total de 983 pessoas atacadas, muitas quando se encontravam na via pública.

Contudo, o responsável sublinhou que os números registados não reflectem a situação real da província, porquanto os casos das áreas do interior dificilmente chegam ao conhecimento do serviço de veterinária.

É claro que estes cães, tão famintos quanto grande parte dos angolanos, não pertencem a gente do regime. Veja-se:

“Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”, afirmou há uns tempos o então ministro da Defesa do MPLA, hoje governador do Huambo e empresário de alto gabarito no esquema económico do regime. Não, não há engano. Reflectindo a filosofia basilar do MPLA, Kundy Paihama disse exactamente isso: o que sobra não vai para os pobres, vai para os coitados dos cães.

Não, obviamente, para estes que vagueiam pelas ruas das nossas cidades. Até para ser cão é preciso ter sorte ou ser… do MPLA.

Ora aí está. E por que não vai para os pobres?, perguntam os milhões que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. Simples. E se não há pobres, mas há cães…

“Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”, explicou Kundy Paihama.

É claro que, embora reconhecendo a legitimidade que os cães de Kundy Paihama (bem como de todos os outros donos do país) têm para reivindicar uma boa alimentação, pensamos que os angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome, não devem transformar-se em cães só para ter um prato de comida.

Embora tenham regressado pela mão do MPLA ao tempo do peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares, devem continuar a lutar ter direito a, pelo menos, comer como os cães de Kundy Paihama.

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