O Presidente francês, François Hollande, ajoelhou-se perante o rei e, por isso, teve de rezar. Pela posição não se sabe se teve de fazer mais alguma coisa. Certo é que José Eduardo dos Santos estava feliz.

F rançois Hollande finge que não sabe que uma em cada seis crianças angolanas morre antes de completar cinco anos e justifica que estes dados, que são da Unicef, não foram fornecidos por fontes credíveis como sejam o… MPLA.

“Este é um país repleto de petróleo, diamantes e milionários que conduzem Porsches e crianças a morrer à fome”, escreveu Nicholas Kristof, colunista do The New York Times, na sua reportagem sobre a mortalidade infantil em Angola. François Hollande desconhece.

Para além dos números preocupantes relativos à mortalidade infantil, os dados indicam ainda que mais de um quarto das crianças está fisicamente afectado pela subnutrição e que os casos de morte materna durante o parto são de 1 em 35. François Hollande desconhece.

A taxa de mortalidade das crianças até aos 5 anos de idade é um indicador do bem-estar infantil e calcula a probabilidade de morrer entre o nascimento e os 5 anos, expresso por cada 1000 nascimentos vivos. Segundo um novo relatório da Unicef, Angola registou um valor de 164 crianças – um número apenas ultrapassado pela Serra Leoa, que ocupa o 1º lugar da tabela com uma taxa de mortalidade de 182 crianças. François Hollande desconhece.

As Nações Unidas pretendem, com a publicação deste tipo de estatísticas, oferecer um retrato detalhado das circunstâncias das crianças em todo o mundo. Esta nova tabela da Unicef pretende proporcionar aos governos factos sobre os quais se possam basear nas suas tomadas de decisões que ajudem a melhorar a vida das crianças. François Hollande desconhece.

Cento e cinquenta mil crianças que morrem todos os anos em Angola. Angola é o país do mundo onde morrem mais crianças com menos de cinco anos. E um dos mais corruptos. A denúncia é de um dos mais prestigiados jornalistas do The New York Times. François Hollande desconhece.

O jornalista do The New York Times não quis ficar indiferente ao que viu em Angola, o país onde morrem mais crianças no mundo – muitas delas subnutridas -, de acordo com dados recolhidos pela Unicef, Nações Unidas, Banco Mundial e Organização Mundial de Saúde. Escreveu e filmou o que se passa nos hospitais angolanos – para que o mundo conhecesse as histórias de quem não se habitua à dor de perder um filho – mesmo que já tenha perdido três ou quatro. François Hollande desconhece.

Em Angola, morrem 150 mil crianças todos os anos. Uma em cada 35 mulheres (dados das Nações Unidas) corre o risco de morrer durante o trabalho de parto e apenas 40% a 50% da população tem acesso aos cuidados de saúde, disse o pediatra da Unicef, Samson Agbo, ao jornalista. E as crianças morrem porque não há medicação, explicou Alfred Nambua, chefe de uma aldeia perto da cidade de Malanje. Foi Nambua quem disse a Nicholas Kristof que vivia melhor antes de Angola ser independente (o processo da descolonização portuguesa aconteceu em 1974 e a guerra civil devastou o país entre 1975 – ano da independência – e 2002) do que agora. François Hollande desconhece.

“No período colonial, quando estava doente, eles tinham medo que eu morresse e cuidavam de mim. Agora, quando estou doente, ninguém se importa”, disse.

A par da denúncia da mortalidade infantil, a denúncia da corrupção. Nicholas Kristof encontrou medicamentos da Novartis à venda em mercados de rua – medicamentos que tinham sido disponibilizados aos hospitais e cuja venda não era permitida. Conta que demorou cinco anos a obter um visto que lhe permitisse visitar o país e diz ter consciência de que depois deste relato alguma vez possa voltar a pisar o chão de Angola – pelo menos — diz ele — enquanto o “regime actual estiver no poder”. François Hollande desconhece.

“Um líder tem muitas formas de matar as suas pessoas e, apesar de José Eduardo dos Santos não estar a cometer genocídio, está a negligenciar o seu povo“, escreveu o jornalista do “The New York Times”, que recupera os dados revelados pelo jornalista e activista Rafael Marques: cerca de 58 milhões de dólares que estavam destinados à renovação de um hospital particular desapareceram. François Hollande desconhece.

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