Angola vai deixar de beneficiar, a partir de 2018, do apoio do Fundo Global para o combate à malária, doença que no ano passado matou 5.102 pessoas entre os mais de 2,7 milhões de casos registados no país.

E m declarações hoje à agência Lusa, o porta-voz do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), Jaime Molossande, explicou que este tipo de apoio cessa face ao objectivo de Angola passar a país de rendimento médio.

O país passou a beneficiar, em 2005, do apoio do Fundo Global, um organismo internacional que apoia os países em desenvolvimento nos esforços de combate às grandes endemias, como a malária, tuberculose e HIV/SIDA.

Até 2014, Angola recebeu 227 milhões de dólares para o combate a estas doenças.

Segundo Jaime Molossande, a retirada desse financiamento – face à nova classificação em termos de rendimento que será atribuída ao país até final do ano – constitui uma preocupação, na medida em que ainda “há um longo caminho a percorrer” até à erradicação da malária.

Para 2015, o PNCM tem como objectivo a cobertura de diagnósticos com testes rápidos, de redes mosquiteiras, melhorar o sistema de informação, pesquisa e vigilância epidemiológica.

Para analisar o novo rumo, o Fórum Nacional dos parceiros na luta contra a malária reuniu-se no passada quinta-feira para analisar os passos a dar, bem como a salvaguarda dos ganhos registados até ao momento.

Entre as principais actividades para este ano estão previstas a expansão da cobertura de redes mosquiteiras, continuidade do projecto de luta anti-vetorial larval, realizar estudos de resistência aos insecticidas e reforçar a capacidade técnica dos profissionais nas províncias.

O acompanhamento do processo de enquadramento dos trabalhadores afectos aos Fundo Global, decorrente do seu término, no Ministério da Saúde é outra das tarefas para o ano em curso.

Ainda de acordo com dados do PNCM, em 2013 foram registados 6.916 óbitos entre os 2.592.742 casos de malária confirmados.

Em Angola, a malária, doença endémica que continua a ser a principal causa de internamentos e de mortes no país, é hiper-endémica nas províncias de Cabinda, Uíge, Malange, Lundas Norte e Sul e Cuanza Norte.

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